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  • quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

    Além das tumbas não há tempo disponível para dissimulações (Jorge Hessen )



    Jorge Hessen
    jorgehessen@gmail.com


    Estava aqui pensando sobre o abjeto mercantilismo da mensagem espírita. Já fizemos muitas preces direcionadas aos confrades “vendilhões” e os equivocados oradores plagiadores. No Brasil há um portal na WEB que não se oprime ao comercializar Cd’s e Dvd”s contendo as palestras de orador ilustre. Pessoalmente (via e-mail) já arguimos a equipe do célebre orador e d’outros confrades, em particular e até os repreendemos através de testemunhas e pela imprensa, seguindo rigorosamente o que recomendou Jesus.

    Contudo, nada prosperou, pois não nos escutaram. Infelizmente, ainda hoje vemos a corretagem de vídeos de palestras espíritas pelo “You Tube”. Isso sem falar naqueles outros palestrantes “espíritas” que estão surgindo cá e acolá, plagiando o tribuno Divaldo Franco. Às vezes, copiam e proferem o roteiro das palestras do tribuno baiano , imitando o seu estilo pessoal, seja na impostação e timbre da fala, seja no gesto das mãos etc , etc ,etc... 

    Certa vez, um confrade explanou para mim a respeito das peripécias de um “famoso” orador que fora convidado para falar no Centro em que ele dirige. Confidenciou-me que o tal palestrante escalado, plagiava, grotescamente, com gestos cômicos, modos de expressão verbal e trechos decorados das conferências do Divaldo Franco, inclusive (pasme!!) "incorporando" “Bezerra” (!) após a palestra (!?).

    Segredou-me, ainda, que outro orador “espírita” convidado por ele, utilizou equipamentos de filmagem para edição e autoprodução de DVDs e CDs (para venda) como prática de incontida e peculiaríssima AUTOPROMOÇÃO, achando que está divulgando a Doutrina dos Espíritos. Ainda sobre esse último orador, outro dirigente disse-me que certo dia ao final da palestra, foi exigido, com gracejos inadmissíveis, os aplausos do público, dizendo que na terrinha onde ele (orador) nasceu era comum o púbico aplaudir as suas palestras.

    Vamos raciocinar um pouco (não historiaremos sobre o portal que mercadeja as palestras do orador afamado).

    Fixarei no orador “espírita” que plagia e imita o Divaldo. Este não tem o menor senso de ridículo, pois, apodera-se de temas e da identidade alheia, sem o menor escrúpulo, e essa é uma atitude obsessiva e/ou psicopatológica, porque lhe é auto plasmada. Ao imitar o Divaldo, esquece-se de que tal atitude não passa de uma dissimulação.

    Como se não bastassem as momices, os peculiares e grotescos fatos é comum alguns “famosos” oradores, sob o manto da falsa humildade, oferecerem-se para proferir palestras em todas as instituições espíritas. Fazem autopropaganda, entram em contato (via celular, WhatsApp, facebook, e mail etc. etc. etc.) com os que coordenam as escalas e se dispõem, "modestamente", a serem designados para “palestrar” nos Centros Espíritas.

    Aos burlescos palestrantes, candidatos ao estrelismo no movimento espírita, urge adverti-los para não se enceguecerem ante os holofotes e aplausos dos filhos da ignorância doutrinária. Palestra não é show de teatro. Não podemos incorporar as caricatas charges de missionários para divulgarmos o Espiritismo. O expositor espírita não é um profissional da fé, que precisa dramatizar, ou usar recursos de imitação do Divaldo, para angariar fiéis. Sua tarefa é informar de forma simples, nobre e coerente sobre o Espiritismo.

    A transmissão da palestra espírita é coisa sublime, pessoal, inimitável. Destarte, temos a obrigação de jamais plagiar quem quer que seja, sobretudo, os oradores que dão "Ibope", que superlotam os centros de convenções. Em face disso, creio que todo dirigente tem o dever de advertir os palestrantes imitadores, porque é um despropósito a clonagem do Divaldo.

    É importante sermos o que somos, modestos, sem exageros, lembrando que uma palestra num Centro Espírita é mais uma conversa do que um discurso laudatório ou uma conferência bombástica. Urge recorrermos a linguagem simples e de bom gosto, lembrando que estamos, ali, a serviço do Cristo para explicar e fazer o público entender a mensagem do Espiritismo, não para exibir cultura e muito menos autopromoção.

    Sobre este alerta, quem se encaixar nele, deve acolher, com deferência , humildade e sem melindres, toda advertência, procurando avaliar, cuidadosamente, o seu trabalho e, assim, melhorar, cada vez mais, a “tarefa” que lhe cabe (eu disse “serviço” e não “missão”). 

    Outra coisa, o orador não deve abusar das anedotas e ou narrar casos chistosos, a fim de provocar gargalhadas do público para angariar um fã clube. Não pode usar a tribuna como se fosse um palco de teatro para humoristas. Se o orador tem o dom de fazer humorismos que procure o teatro, a emissora de TV, o rádio, o cinema e exerça a digna arte de ator. É muito mais honesto.

    Sem querer ser "santo", mas, alguém, sinceramente, empenhado em edificar-se moralmente, o orador, a cada dia, deve lembrar, sempre, que, para o público ouvinte, ele representa o Espiritismo e o Movimento Espírita. Ademais, o orador despretensioso é uma peça importante na propaganda e na Difusão do Espiritismo. Por isso, a “tarefa” deve ser encarada com extrema responsabilidade e praticada com esmerada bagagem moral e cultural, sem prejuízo da indispensável coerência.

    Não se pode esquecer que quando alguém se propõe a ouvir um orador Espírita, o faz no pressuposto de que ele sabe o que está falando e lhe oferece, silenciosamente, um voto de credibilidade, capaz de mudar, metodicamente, ideias ou conceitos errôneos que nele estavam arraigados, podendo transformar, até mesmo, toda uma trajetória de vida!

    Pensemos nisso, o quanto antes, pois além da tumba não há tempo disponível para dissimulações.

    segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

    Preconceitos e homofobias implícitos entre “confrades” (Jorge Hessen)

    Jorge Hessen
    Brasília.DF


    Existem muitos “confrades” que, declarada ou veladamente homofóbicos, são intolerantes a homossexualidade e/ou qualquer sentimento/relacionamento homoafetivo. Obviamente, para um povo místico, preconceituoso e homofóbico que até hoje vê com esguelha um casal inter-racial, não seria diferente com a união estável entre homossexuais.

    Tragicamente há “confrades” discriminadores, para os quais a homossexualidade é a maldição de Deus.  Anunciam essas vertentes (sempre generalizando) como se impuras fossem. Não ignoro que não será de uma hora para outra que esses preconceitos e aversões serão extirpados do imaginário individual e coletivo.

    Vários jovens foram banidos de seus lares e até assassinados pelos próprios pais, tão somente porque eles são homossexuais. Infelizmente as concepções e crenças desses progenitores consideram a homossexualidade abjeta ou impura; creem que não conseguem conviver, amar e perdoar o próprio filho.

    O “confrade” homofóbico, discriminador, racista etc. é aquele que ainda não aprendeu a lidar com as próprias frustrações em relação a si mesmo. Ele luta cegamente para manter suas ideias deturpadas, porque entende que jaz “doutrinariamente” puro num mundo “pecaminoso” que já se perdeu. Por isso, quando o “confrade” preconceituoso se une a outro “confrade” discriminador, habitualmente eles se tornam impetuosos em defender as suas ideias porque, sem a lógica KARDEQUIANA, é a agressão que prevalece para IMPOR uma “verdade” unilateralmente.

    Tais “confrades” com vieses homofóbicos altercam a questão da distorção sexual no corpo físico pela fonte espiritual deturpada. Invariavelmente sob argumentos reducionistas afirmam que os núcleos em potenciação sexual mesclada e desarmônica, traduzido na morfogênese humana, a transmutação sexual redunda numa extensa patologia, em que a homossexualidade ocupa lugar de destaque.

    Os enviesados pela homofobia asseguram que os casos patológicos acima citados jamais deverão ser confundidos com “almas femininas” em corpos masculinos ou corpos femininos com “almas masculinas”. Nas suas impetuosidades afirmam que a homossexualidade é caso típico de desvio patológico quando os indivíduos procuram atender às solicitações sexuais com o parceiro do mesmo sexo, em atitudes ativas ou passivas.

    Creem que na homossexualidade há a prática sexual deformada com todas as sequelas doentias para o psiquismo, que resvalam para os desvios psicológicos do intersexualismo e transexualismo que podem oferecer campo propício para deságues patológicos na organização sexual periférica, com absorção das desarmonias para a estrutura da alma ou inconsciente.

    Sob o guante do viés homofóbico, “confrades” chegam ao ápice ao ressaltarem que na “grande lei dos desvios sexuais” há as perversões do sadismo, masoquismo, exibicionismo e violências de toda ordem. Nesse grupo, a grande percentagem está na homossexualidade, condição de extenso campo de avaliação psicológica.

    Para tais “confrades” homofóbicos a personalidade homossexual, em grande número de casos, tem mostrado, ao lado da amabilidade, incontida egolatria, algumas vezes acompanhando posições narcisistas, contribuindo com certo grau de hostilidade para ambos os sexos. São pessoas mais tendentes à ansiedade e a outros sintomas neuróticos, tais como fobias e depressões. Quase sempre são portadoras de esquemas mentais complicados, tornando-se prolixos e enfadonhos no diálogo.

    Certa vez um “confrade” me disse com todas as letras: “temos o caso do Chico – clássica inversão [sexual] a serviço do bem”. Mas sempre generalizando com a “autoridade heterossexual”, entende que os homossexuais não estão satisfeitos com a situação de inversão - são em sua maioria revoltados ou insatisfeitos – isso por si só denota a situação expiatória imposta.

    Para Emmanuel, na obra Vida e Sexo, a homossexualidade não encontra explicação fundamental nos estudos psicológicos que tratam do assunto em bases materialistas, mas é perfeitamente compreensível à luz da reencarnação.

    Observada a ocorrência, mais com os preconceitos da sociedade, constituída na Terra pela maioria heterossexual do que com as verdades simples da vida, a homossexualidade vai crescendo de intensidade e de extensão com o próprio desenvolvimento da Humanidade, e o mundo vê, na atualidade, em todos os países, extensas comunidades de irmãos em experiência dessa espécie, somando milhões de homens e mulheres, solicitando atenção e respeito, em pé de igualdade ao respeito e à atenção devidos às criaturas heterossexuais.

    A coletividade humana aprenderá, gradativamente, a compreender que os conceitos de normalidade e de anormalidade deixam a desejar quando se trate simplesmente de sinais morfológicos. [1]

    ·         Podemos compreender a homossexualidade nas três situações seguintes:

    Processo de transição, isto é, quando o Espirito está em trânsito evolutivo, da experiência feminina para a masculina ou vice-versa, ao reencarnar demonstrará inevitavelmente os traços femininos ou masculino em que terá estagiado por muitos séculos, em que pese ao corpo de formação masculina ou feminina da atual reencarnação.

    Processo de regeneração (punitivo), isto é, quando o Espírito reencarna no corpo feminino ou masculino com obrigações expiatórias, em face dos desvios das faculdades sexuais de vidas passadas (homem que abusou sexualmente da mulher e mulher que abusou sexualmente do homem), por isso é induzido a reencarnar em corpo morfologicamente contrário ao psiquismo (homem renasce em corpo de mulher e mulher renasce em corpo de homem), aprendendo, em regime de prisão e inversão, a reajustar os próprios sentimentos. [2]

    Processo de elevação, isto é, quando os Espíritos cultos e sensíveis, aspirando a realizar tarefas específicas na elevação de agrupamentos humanos e, consequentemente, na elevação de si próprios, reencarnam em vestimenta carnal oposta à estrutura psicológica pela qual transitoriamente se definem. Escolhem com isso viver temporariamente ocultos no corpo físico inverso ao psicológico, com o que se garantem contra arrastamentos irreversíveis, no mundo afetivo, de maneira a perseverarem, sem maiores dificuldades, nos objetivos que abraçam. [3]

    Em suma, sugerimos aos “confrades” homofóbicos e discriminadores o seguinte: diante dos homossexuais é forçoso dar-lhes o amparo afetivo e educativo adequado, tanto quanto se administra educação à maioria heterossexual. E para que isso se verifique em linhas de justiça e compreensão, caminha o mundo de hoje para mais alto entendimento dos problemas do amor e do sexo, porquanto, à frente da vida eterna, os erros e acertos dos irmãos de qualquer procedência, nos domínios do sexo e do amor, são analisados pelo mesmo elevado gabarito de Justiça e Misericórdia. Isso porque todos os assuntos nessa área da evolução e da vida se especificam na intimidade da consciência de cada um. [4]

    Outro “confrade” assegurou-me através do seu próprio véis homofóbico que “Emmanuel” aconselha o celibato para os homossexuais. Ora, em verdade eu não sei (e ninguém sabe) o que vai na intimidade de alguém que opta pela relação homossexual. A minha natureza psicológica particularmente heterossexual não me permite invadir a privacidade homossexual de ninguém. Em face disso, quem sou eu para ajuizar o que é certo ou errado no mundo homoafetivo, considerando o relacionamento homossexual. Não consigo compreender os “confrades” que interpretam a intimidade sexual dos outros como supostamente pura ou impura, sublimada ou animalizada, equilibrada ou destrambelhada!!!

    Afinal, quem tem autoridade para ajuizar a consciência do próximo? NINGUÉM! Absolutamente NINGUÉM.

    Se há “confrades” que entendem que podem julgar o próximo, “que atirem a primeira pedra!”[5

    Referência bibliográfica:

    [1]  [1]     XAVIER, Francisco Cândido. Vida e sexo, ditado pelo Espirito Emmanuel, cap. 21, RJ: Ed. FEB. 1977
    [2]       idem
    [3]       idem
    [4]       idem
    [5]       João 8:1-11

    quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

    Aberrações biológicas diante dos engenhos da reencarnação (Jorge Hessen)


    Jorge Hessen
    jorgehessen@gmail.com
    Brasília.DF

    No dia 02 de julho de 1997, uma equipe médica liderada pelo Dr. Ahmed Al Fadall anunciava a retirada de um feto do abdome de Hicham Ragab, pesando dois quilos, com olhos, nariz, língua, braços e pernas, conforme notícia veiculada no Jornal Correio Braziliense de 03 de julho de l997. O jovem, de apenas quinze anos, chegou ao Hospital al-Demardache, queixando-se de fortes cólicas abdominais, o que os médicos suspeitaram tratar-se de um tumor desenvolvido naquela região. Aparentemente, o feto seria o irmão gêmeo de Ragab, arriscou o médico. [1]

    Lendo as notícias do portal Yahoo constatei que Cirurgiões japoneses fizeram uma descoberta macabra ao procederem uma apendicectomia de rotina. Os médicos acharam cabelo, osso e um pequeno cérebro deformado crescendo no ovário de uma adolescente. Os profissionais disseram que o tumor retirado pelo abdômen era um teratoma cístico, no qual as células se transformam em diferentes tecidos, como ossos, nervos, cabelos e dentes.

    Quando os médicos cortaram o tumor, encontraram pedaços de cabelo emaranhado e uma estrutura cerebral com um fino crânio em volta. De um lado, a massa se assemelhava a um tronco cerebral. O tumor era uma pequena versão de um cerebelo, parte do cérebro humano. O tumor era benigno e os pesquisadores do Centro Médico de Shiga, no Japão, disseram que os teratomas de ovário frequentemente contêm material cerebral. [2]

    Existem algumas teorias sobre o motivo disso. Uma delas sugere que tumores desse tipo são como gêmeos parasitas. Angelique Riepsamen, da University of New South Wales, da Austrália, disse à revista New Scientist que “elementos semelhantes aos do sistema nervoso central são frequentemente encontrados nos teratomas ovarianos, mas estruturas parecidas com a de um cérebro adulto são raras.” [3]

    Tais informações nos remeteu a uma reportagem que havíamos lido na antiga Revista Visão, de dezembro de 1986, onde lemos que "ao ser internado no setor pediátrico do Hospital de Bombain, na Índia, acometido de uma inflamação abdominal, um menino de quatro meses foi submetido a uma laparotomia (abertura cirúrgica da cavidade abdominal) por uma equipe médica, chefiada pelo Dr. B. L. Chitalangia, e, em meio à cirurgia, os médicos encontraram nada mais, nada menos, que um feto, pesando quatrocentos gramas, de estrutura anatômica com braços e pernas, mas, desprovido de crânio." [4]

    Para a Medicina, os fatos se constituem como um provável processo teratológico de precedentes raríssimos, visto que se caracterizam por uma interrupção da própria Natureza biológica de prováveis xifópagos.

    Como buscarmos uma explicação espírita para essas "anomalias" da Natureza? Acidente na estrutura do conjunto genético? O "acaso" satisfaz a estas indagações? Evidentemente, as academias científicas não buscarão na etiologia de tais desarmonias genéticas as legítimas "raízes-causas", posto que - e isso não é temerário afirmar - restringem-se a ilações de superfície, presas aos compêndios acadêmicos, atribuindo tais insólitos fenômenos ao fortuito acidente biológico.

    Os Espíritos afirmam que no processo reencarnatório o Espírito se une ao corpo no instante da concepção, mas o processo só é completo no momento do nascimento. Durante a gestação o Espírito pode renunciar a habitar o corpo designado. Como os laços que a ele o prendem não são muito fortes, se o reencarnante recua diante da prova que escolheu, os laços reencarnatórios facilmente se rompem pela vontade do Espírito, e nesse caso o feto não sobrevive.

    Muitas gestações são interrompidas, e isso se dá frequentemente como provação, quer para os pais, quer para o Espírito reencarnante. Advertindo porém que há natimortos a que não tinha sido destinado um Espírito à encarnação. É então uma gestação provida pelo desejo dos pais [gravidez psicológica] em que essa criança é gerada. [5]

    Muitos desses processos gestacionais se estendem por muitas reencarnações, deixando estigmas no modelador do corpo biológico, ou períspirito (matriz das anomalias genéticas).

    Quando a Medicina desvendar a estrutura funcional do perispírito e buscar o conhecimento sobre a preexistência dos Espíritos encarnados, encontrará a explicação para muitos desafios científicos, posto que se temos uma vida física somente, e tão-somente uma existência, nossa visão sobre Justiça Divina torna-se excessivamente acanhada.

    Referencias: 


    [1] Jornal Correio Braziliense, de 03 de julho de l997

    [2] Disponível em https://br.noticias.yahoo.com/cirurgioes-encontram-pequeno-cerebro-cranio-e-cabelo-dentro-de-ovario-de-uma-adolescente-165327465.html acesso em 16/01/2017

    [3] Idem

    [4] Revista Visão, de dezembro de 1986

    [5] Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos. Perguntas: 344/345/354/355/356, RJ: Ed. FEB, 2002

    domingo, 15 de janeiro de 2017

    Chacotas inconsequentes - Jorge Hessen


    Jorge Hessen
    jorgehessen@gmail.com
    Brasília.DF



    Paulo escreveu aos Gálatas: “Não vos enganeis; Deus não se deixa zombar; pois tudo o que o homem semear, isso também ceifará”. [1] Alguns humoristas impiedosos, armados de repertórios controvertidos, costumam debochar das desgraças alheias (bêbados, homossexuais, analfabetos, jagunços, idosos, aleijados etc.), a fim de bancarem os seus estúpidos shows. 

    Há dois mil anos Jesus foi ridicularizado. Notemos: Nisso os soldados do governador levaram Jesus ao pretório, e reuniram em torno dele toda a coorte. E, despindo-o, vestiram-lhe um manto escarlate; e tecendo uma coroa de espinhos, puseram-lha na cabeça, e na mão direita uma cana, e ajoelhando-se diante dele, o escarneciam, dizendo: Salve, rei dos judeus! E, cuspindo nele, tiraram-lhe a cana, e davam-lhe com ela na cabeça. Depois de o terem escarnecido, despiram-lhe o manto, puseram-lhe as suas vestes, e levaram-no para ser crucificado. [2]

    Ridicularizar, segundo o dicionarista, é aquele que tira "onda" zomba; que vive caçoando, causando riso com a intenção de debochar de algo ou de alguém; fazendo chacota com palavras, expondo-a ao ridículo. Que trata alguém com escárnio. Que exprime, demonstra e utiliza sarcasmo. Procurar tornar ridículo por meio de gestos, atitudes ou palavras irônicas. 

    Os motivos podem ser muitos, dentre eles: Por diferenças raciais, doenças deformantes, forma de ser (personalidade), características regionais. Na verdade muitas pessoas são ridicularizadas pelo fato de não estarem enquadradas no atual perfil psicossocial, que parece eleger as pessoas "normais" e as "estranhas" que são alvos de zombarias cruéis.

    Cientistas da Universidade de Leiden (Holanda) concluíram que rir dos problemas dos outros – um hábito muito comum entre os seres humanos – é sinal de baixa autoestima. Isso significa que, cada vez que alguém faz chacota ao ver alguma pessoa em desventura está mostrando que tem sérios problemas de auto aceitação.

    Os estudos foram liderados pelo professor Wilco W van Djik e analisaram 70 pessoas. A grande maioria delas confessou ficar ditosa quando sabe que outra pessoa cometeu alguns deslizes ou se machucou. Van Djik afirmou para a revista LiveScience que “pessoas com menor autoestima se sentem melhor quando observam a desgraça alheia”. E esse sentimento (de gostar de ver os outros sofrendo) tem um nome: Schadenfreude. [3]

    Raciocinando, dialogando ou trabalhando, “a força de nossas ideias, palavras e atos alcança, de momento, um potencial tantas vezes maior quantas sejam as pessoas encarnadas ou não que concordem conosco, potencial esse que tende a aumentar indefinidamente, impondo-nos, de retorno, as consequências de nossas próprias iniciativas”. [4]

    Nos anos 1940, Chico começava a ser conhecido nacionalmente, e também era processado pela família do jornalista Humberto de Campos , que exigia na justiça o pagamento dos direitos autorais pela venda dos livros psicografados. Nessa mesma época, desembarcou em Pedro Leopoldo, David Nasser[5] e Jean Manzon, respectivamente, repórter e fotógrafo da revista O Cruzeiro, a revista de maior circulação no Brasil nessa época. O objetivo era entrevistar e achincalhar Chico Xavier.

    A dupla expôs ao extremo ridículo a vida de Chico, justamente no momento mais crítico de sua vida, faltavam apenas alguns dias para que o juiz proferisse a sentença no caso Humberto de Campos. Com o título de “Chico Xavier, detetive do além” e dez páginas, a reportagem foi publicada na revista no dia 12 de agosto de 1944. Em meio a elogios, David aproveitava também para colocar em contradição os dons mediúnicos de Chico, sua ingenuidade em alguns momentos e sua esperteza em outros. 

    Chico ficou indignado ao ler a reportagem. Ao ver sua vida e sua imagem (dentro de uma banheira) sendo manipulada daquela maneira, teve a certeza de que seria condenado. Chico chorava desesperadamente, não acreditava que havia sido enganado, e se perguntava porque Emmanuel não o alertou, se assim tivesse feito toda aquela humilhação não estaria acontecendo. 

    Em meio à crise de choro Emmanuel surgiu no quarto e perguntou:

    - Por que você chora?

    - Por quê? É muita humilhação, uma vergonha, um vexame.

    E Emmanuel respondeu:

    - Chico você tem que agradecer. Jesus foi para a cruz, você foi só para “O Cruzeiro”. [6]

    Toda a brecha de sombra em nossa personalidade retrata a sombra maior. Qual o pequenino foco infeccioso que, abandonado a si mesmo, pode converter-se dentro de algumas horas no bolo pestífero de imensas proporções, o deboche, a zombaria, “a maledicência pode precipitar-nos no vício, tanto quanto a cólera sistemática nos arrasta, muita vez, aos labirintos da loucura ou às trevas do crime”. [7]



    Em suma, se zombarem de nós, sigamos o sábio conselho de Emmanuel - façamos do limão uma limonada e prossigamos em paz.

    Referências bibliográficas:

    [1]Gálatas 6:7
    [2] Mateus, 27: 27-31
    [3] A palavra deriva do alemão Schaden “dano, prejuízo” e Freude “alegria, prazer”.é um empréstimo linguístico da língua alemã também usado em outras línguas do Ocidente para designar o sentimento de alegria ou satisfação perante o dano ou infortúnio de um terceiro.
    [4] Xavier, Francisco Cândido. Pensamento e Vida, cap. 8, ditado pelo Espírito Emmanuel, RJ: Ed. FEB, 1977
    [5] Na década de 1970, David Nasser, em uma reportagem publicada no jornal carioca O Dia, se mostrou arrependido ao definir Chico Xavier como “o maior remorso da minha vida”.
    [6] http://www.acaminhodaluz.net.br/v2/momentos-com-chico-xavier/103-chico-na-revista-o-cruzeiro.html
    [7] Idem

    segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

    Sentimento e moralidade precedem à intelectualidade (Jorge Hessen)


    Jorge Hessen
    jorgehessen@gmail.com
    Brasília.DF


    Será que há uma tarefa especializada da inteligência no orbe terrestre? Emmanuel ilustra que “assim como numerosos Espíritos recebem a provação da fortuna, do poder transitório e da autoridade, há os que recebem a incumbência sagrada, em lutas expiatórias ou em missões santificantes, de desenvolverem a boa tarefa da inteligência em proveito real da coletividade. Todavia, assim como o dinheiro e a posição de realce são ambientes de luta, onde todo êxito espiritual se torna mais porfiado e difícil, o destaque intelectual, muitas vezes, obscurece no mundo a visão do Espírito encarnado, conduzindo-o à vaidade injustificável, onde as intenções mais puras ficam aniquiladas. [1]

    Há aqueles que possuem o chamado QI elevado, que entretanto desconhecem os cruciais problemas sociais. James Flynn, professor da Universidade de Otago, Nova Zelândia, pesquisador no campo de investigações sobre a inteligência, afirma que os resultados médios em testes de inteligência vêm aumentando em todas as raças humanas. Todavia, em que pese o enorme potencial intelectual, muitos “inteligentes” não têm noção da história complexa do mundo que os cerca. Em seu mais novo livro, Does Your Family Make You Smart?, Flynn discute as maneiras como o pensamento humano mudou ao longo dos tempos, incluindo um aumento misterioso no quociente de inteligência (QI).

    Alguns pesquisadores argumentam que “aumento misterioso no quociente de inteligência” reflete a completa educação atual sob a crescente dependência da linguagem e inteligência tecnológica. Tempos atrás, lembram, nossos bisavós padeceram com máquinas de escrever, e nossos pais com o primeiro videocassete, mas as crianças atuais aprendem a usar com extrema facilidade um tablet ou um smartphone ainda em tenra idade. Com isso, a atual geração talvez pense de forma rápida e abstrata, o que pode resultar em aumentos médios de percentuais no QI, mas esse aumento não significa perspectiva de melhora social.

    Nesse debate, cientistas se apresentam convictos de que, independentemente dos antecedentes familiares, as pessoas têm o poder de cuidar do próprio desenvolvimento intelectual e moral, pois os estudos mostram que circunstâncias tecnológicas atuais influenciam o QI no presente mais do que a tradicional e histórica experiência educativa da família. Dizem! Porém, James Flynn não concorda com isso. Seguimos o pensamento de Flynn, pois cremos que a família é o fator principal para o desenvolvimento da moralidade e da inteligência.

    “Temos no instituto familiar uma organização de origem divina, em cujo seio encontramos os instrumentos necessários ao nosso próprio aprimoramento para a edificação do Mundo Melhor”. [2] Destacando aqui que “de todos os institutos sociais e educacionais existentes na Terra, a família é o mais importante, do ponto de vista dos alicerces morais que regem a vida”. [3] Porquanto, no sagrado instituto da família há a base mais elevada para os métodos de educação, das noções religiosas, com a exemplificação dos mais altos deveres da vida.

    Considerando que o colégio familiar tem suas origens sagradas na esfera espiritual, preponderam nesse instituto divino os elos do amor, fundidos nas experiências de outras eras. Obviamente os valores intelectivos representam a soma de muitas experiências, em várias vidas do Espírito, no plano material. Uma pessoa de QI elevado significa um imenso acervo de lutas planetárias. Atingida essa posição, se o homem guarda consigo uma expressão idêntica de progresso espiritual, pelo sentimento, então estará apto a elevar-se a novas esferas do Infinito, para a conquista de sua perfeição. [4]

    Lamentavelmente, a inteligência humana sem desenvolvimento moral e sentimental tem sido arma letal, porque nesse desequilíbrio do sentimento e da razão é que repousa atualmente a dolorosa realidade do mundo de guerras. O grande erro das criaturas humanas foi valorizar historicamente apenas o intelecto, olvidando os valores legítimos da moralidade e do coração nos caminhos da vida.

    Referências bibliográficas: 

    [1] Xavier, Francisco Cândido. O Consolador, pergunta 208, RJ: Ed FEB, 2000

    [2] Xavier, Francisco Cândido. Vida e Sexo, cap. 2, RJ: Ed FEB, 2006

    [3] Idem cap. 17

    [4] Xavier, Francisco Cândido. O Consolador, pergunta 42, RJ: Ed FEB, 2000

    quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

    Sejamos nós a mudança que nós queremos ver no mundo (Jorge Hessen)

    Jorge Hessen
    jorgehessen@gmail.com
    Brasília.DF

    Após ganhar um Emmy de melhor série de não ficção, a série O Planeta em Perigo, série documental da Nat Geo , retorna com nova temporada. Desta vez, astros como o apresentador David Letterman, os atores Don Cheadle, Arnold Schwarzenegger (que também é um dos produtores do programa), Joshua Jackson, America Ferrara, e a modelo Gisele Bündchen, participam de reportagens nas quais apresentam como diferentes partes do mundo estão sofrendo com mudanças climáticas. [1]

    No terceiro episódio, por exemplo, Thomas Friedman, repórter especialista em meio ambiente do The New York Times, vai para a Nigéria e o Senegal conhecer os ‘refugiados climáticos’, pessoas que estão saindo de onde moram pelas temperaturas extremas. “Falamos muito sobre os refugiados políticos, mas cerca de seis milhões de africanos terão que deixar seus países de origem porque o solo deles, que antes era fértil, está se transformando em areia por conta da desertificação”, explica Gelber. “Não há dúvida de que as pessoas que menos contribuem para mudanças climáticas são as mais afetadas por elas.”[2]

    A O Planeta em Perigo ganha uma importância ainda maior no contexto político atual dos Estados Unidos: o presidente eleito, Donald Trump, não acredita na ciência por trás das mudanças climáticas. Em diversas ocasiões, Trump afirmou que o conceito de aquecimento global foi criado pelos chineses para deixar a produção industrial dos Estados Unidos menos competitiva.

    Pesquisas indicam que a “mudança climática tem matado cerca de 315 mil pessoas por ano, de fome, de doenças ou de desastres naturais, e o número deve subir para 500 mil, até 2030”.[3] Quase 25% da população mundial estão ameaçados pelas inundações, em consequência do degelo do Ártico, segundo um estudo publicado há 8 anos, pelo Fundo Mundial para a Natureza (WWF). À medida que a extensão do gelo diminui, e que a superfície dos oceanos aumenta, a quantidade de energia solar absorvida, também, aumenta.

    Urge que se crie uma mentalidade crítica, que permita estabelecer novos comportamentos com foco na sustentabilidade da vida humana. A sociedade deve formatar novos modelos de convivência, lastreados na fraternidade e no amor. A falta de percepção, da interdependência e complementaridade, entre os indivíduos, gera, cada vez mais intensamente, o desequilíbrio da natureza. O cientista Stephen Hawking, em seu livro "O Universo numa Casca de Noz", expõe, de forma curiosa, que: "Uma borboleta batendo as asas em Tóquio pode causar chuva no Central Park de Nova Iorque”. [4]Hawking explica, que "não é o bater das asas, pura e simplesmente, que gerará a chuva, mas a influência deste pequeno movimento sobre outros eventos em outros lugares é que pode levar, por fim, a influenciar o clima.” [5]

    Desde o início da revolução industrial, em 1750, os níveis de dióxido de carbono (CO2) aumentaram mais de 30%, e os níveis de metano cresceram mais de 140%. A concentração atual de CO2 na atmosfera é a maior registrada nos últimos 800 mil anos. Quais serão as consequências disso? A escala do impacto pode levar à escassez de água potável, trazer mudanças grandes nas condições para a produção de alimentos e aumentar o número de mortes por decorrência de ondas de calor e secas.

    As nações, frequentemente, lutam para ter ou manter o controle de matérias primas, suprimento de energia, terras, bacias fluviais, passagens marítimas e outros recursos ambientais básicos. "Esses conflitos tendem a aumentar à medida que os recursos escasseiam e aumenta a competição por eles". [6] Precisamos nos adaptar ao meio como os demais entes vivos neste momento.

    Realmente, a consciência de proteção ambiental cresce com o nosso desenvolvimento intelectual e moral. Os recursos “renováveis” que se consomem e o impacto sobre o meio ambiente não podem ser relegados a questões de menor importância, principalmente levando-se em consideração a utilização da água potável, cuja posse no futuro pode ser o motivo mais explícito de confronto bélico planetário.

    "A Natureza é sempre o livro divino, onde a mão de Deus escreveu a história de sua sabedoria, livro da vida que constitui a escola de progresso espiritual do homem evoluindo constantemente com o esforço e a dedicação de seus discípulos". [7]

    A vida no planeta depende da convivência pacífica entre o homem e a Natureza. E nós espíritas, o que fizemos, ou o que pretendemos fazer? Mahatma Gandhi afirmou certa vez que toda bela mensagem do Cristianismo poderia ser resumida no Sermão da Montanha, que nos serve de exemplo quando diz: sejamos nós a mudança que nós queremos ver no mundo.

    Referências:

    [1]Disponível em http://revistagalileu.globo.com/Ciencia/noticia/2016/11/pessoas-que-menos-contribuem-para-mudancas-climaticas-sao-mais-afetadas-por-elas.html acesso em 26/12/2016

    [2] Idem

    [3]Trecho é encontrado na página 325 do relatório BRUNDTLAND, de 1988, da Comissão Mundial sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento, no livro "Nosso Futuro Comum"

    [4]Cf. Instituto Goddard de Estudos Espaciais, da Nasa-EUA

    [5]Texto de Marcos Tadao Mendes Murassawa. Aquecimento Global - Ficção x Realidade acessado em 01-01-08

    [6]Trecho é encontrado na página 325 do relatório BRUNDTLAND, de 1988, da Comissão Mundial sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento, no livro "Nosso Futuro Comum"

    [7]Xavier, Francisco Cândido. O Consolador, ditado pelo Espírito Emmanuel, Rio de Janeiro: Ed FEB, 2001, questão 121

    segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

    Extinção, prejuízo, abandono e “luto” (Jorge Hessen)

    Jorge Hessen
    jorgehessen@gmail.com
    Brasília.DF


    Um estudo da Universidade de Birmingham, no Reino Unido, descobriu que aqueles que viveram recentemente um quadro de luto [1], especialmente idosos, podem passar por um processo de redução das funções dos neutrófilos.[2] Mas apesar do peso do conhecimento científico sobre o relacionamento entre luto e a doença física, os sintomas costumam ser completamente inesperados.

    Para Jessica Mitchell, gerente do serviço de apoio telefônico da ONG Cruse Bereavement Care, as pessoas ficam bastante assombradas com a notícia da morte de um parente e se sentem atormentadas achando que há algo errado com elas. As pessoas realmente não entendem, porque não se discute mais sobre a morte, explica Susan Hughes, da ONG Compassionate Friends, que presta suporte aos familiares após a morte de crianças. [3]

    A falta de compreensão do tema “morte e o luto” reflete a dificuldade da sociedade em falar francamente sobre a deserncarnação de alguém da família. Para alguns trata-se de um grande tabu. As pessoas não querem nem ouvir ninguém falar sobre esse assunto.

    Ora, em verdade o luto não é essencialmente tão insuportável quanto se imagina. Sabe-se que grande parte dos enlutados consegue suplantar bem a “perda” de um parente; entretanto por que razão algumas pessoas não conseguem superar o trauma? Muitas pessoas atravessam anos sobrevivendo como nos primeiros e mais complicados períodos do luto. Elas não conseguem retomar a vida. Cultuam a dor, em uma espécie de luto crônico, chamado pelos psiquiatras de “luto patológico” ou “luto complicado”. Nas mortes traumáticas, como acidente, suicídio ou assassinato, pode haver uma fase de negação mais prolongada; a culpa e a revolta podem aparecer com mais intensidade.

    Para alguns o luto pode provocar uma grave crise doméstica, pois exige a tarefa de renúncia, de excluir e incluir alguns papéis da cena familiar. Percebe-se então que existe aí uma confusão, pois essa crise pode estancar o desenvolvimento dos parentes, fator que pode definir o processo de um luto crônico coletivo.

    É importante destacar aqui que o luto não advém apenas pela morte de um ente querido. Há diferentes tipos de lutos, às vezes mais intensos, que acontecem depois da perda de um objeto ou abandono afetivo de alguém a que se tinha apego. É verdade! Muitos adoecem fisicamente, totalmente apegados a algo, circunstância ou alguém. Eis aí a razão de suas desditas e o entrave para a ascensão espiritual.

    Talvez o grande preceito da vida, que experimentamos severamente, é desapegarmos de coisas, situações e pessoas. Obviamente desapegar não é desamar ou abater a valor do objeto, da coisa, mas compreender e acolher o fato da transitoriedade das circunstâncias, dos objetos e pessoas. É importantíssimo irmos desapegando do passado remoto ou recente e sintonizarmos as emoções no presente, sobretudo naquilo que é essencial dentre as coisas e pessoas.

    O Espiritismo nos esclarece bem sobre a imortalidade. Jesus, há dois mil anos, reafirmou a realidade da sobrevivência do espírito após a morte e a continuidade da vida em outras dimensões. Por isso, alivia-nos os corações sofridos no luto pelas grandes “perdas”, seja pela visita da desencarnação, seja pelo abandono de alguém querido, seja pela perda de ilusórios haveres ou de posição social. Tudo passa! Até mesmo o luto.

    Referências:
    [1]                   Luto [do latim luctu] – 1. Sentimento de pesar ou de dor pela morte de alguém. 2. A exteriorização do referido sentimento ou o tempo de sua duração. 3. Consternação, tristeza.
    [2]                 A parte mais abundante dos glóbulos brancos do sangue, responsáveis por combater bactérias como a da pneumonia

    [3]                 Disponível em http://www.bbc.com/portuguese/geral-37030767. Acessão 08/12/2016