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  • segunda-feira, 31 de dezembro de 2018

    Quem tem medo de “fantasmas”? (Jorge Hessen)


    Quem tem medo de “fantasmas”?  (Jorge Hessen)

    Jorge Hessen
    jorgehessen@gmail.com 
    Brasília/DF

    O temor de “fantasmas” é uma atitude ingênua causada pela ausência de conhecimento a respeito da natureza etérea dos “mortos”. Sobre as suas aparições são mais frequentes do que se pensa e muitos creem que a preferência dos Espíritos [“fantasmas”] é pelos ambientes escuros, mas isso é um mito e um engano. Ocorre, simplesmente, que a substância vaporosa dos períspiritos dos “fantasmas” é mais perceptível no escuro, tal como ocorre com as estrelas que só podem ser visualizadas à noite. A claridade do dia, por exemplo,  ofusca a essência sutil que constituem os corpos dos “mortos”. Isto porque os tecidos perispirituais são compostos de energia semelhante à luz , portanto, o perispírito dos “fantasmas” não é, digamos, fosco, ao contrário, é dotado de grande diafaneidade para ser perceptível  a olho nu, durante o dia.

    O perispírito, no seu estado normal, é invisível; mas, como é formado de substância etérea, o Espírito, em certos casos, pode, vontade própria, fazê-lo passar por uma modificação molecular que o torna momentaneamente visível. É assim que se produzem as aparições, que não se dão, do mesmo modo que outros fenômenos, fora das leis da Natureza. Conforme o grau de condensação do fluido perispiritual, a aparição é às vezes vaga e vaporosa; de outra, mais nitidamente definida; em outras, enfim, com todas as aparências da matéria tangível. Pode mesmo chegar à tangibilidade real, ao ponto do observador se enganar com relação à natureza do ser que tem diante de si. [1]

    A pesquisadora Elizabeth Tucker, da Universidade Estadual de Binghamton, em Nova York, apresenta diversos relatos de aparições [Espíritos] em campus universitário. Conta-se que os fantasmas revelam o lado sombrio da ética. Suas aparições são muitas vezes um lembrete de que a ética e a moral transcendem nossas vidas e que deslizes podem resultar em um pesado fardo espiritual. No entanto, as histórias de fantasmas também trazem esperança. Ao sugerir a existência de uma vida após a morte, elas oferecem uma chance de estar em contato com aqueles que já morreram e, portanto, uma oportunidade de redenção - uma forma de reparar erros do passado.[2]

    A crença nos “fantasmas” é comum, pois baseia-se na percepção que temos na existência e sobrevivência dos Espíritos e na possibilidade de comunicar-se com eles. Deste modo, todo Ser espiritual que manifesta a sua presença sob várias circunstâncias é um Espírito que no senso comum é chamado de “fantasma”. Comumente, pelo conhecimento vulgar, são imaginados sob uma aparência fúnebre, vindo de preferência à noite, e sobretudo nas noites mais sombrias, em horas fatais, em lugares sinistros, cobertos de lençóis ou bizarramente cobertos. Todavia, os tais “fantasmas” assustadores , longe de serem atemorizantes, são, comumente, parentes ou amigos que se apresentam por simpatia, entretanto podem ser Espíritos infelizes que eventualmente são assistidos; “algumas vezes, são farsantes do mundo Espírita que se divertem às nossas custas e se riem do medo que causam; Mas supondo-se mesmo que seja um mau Espírito, que mal poderia ele fazer, e não se teria cem vezes mais a temer de um bandido vivo que de um bandido morto e tornado Espírito!”[3] 

    Todos que vemos um “fantasma” podemos conversar com ele, e é o que se deve fazer nesse caso, podendo perguntar-lhe quem é, o que deseja e o que se pode fazer por ele. Se o Espírito for infeliz e sofredor, o testemunho de comiseração o aliviará. Se for um Espírito bondoso, pode acontecer que traga a intenção de dar bons conselhos. Tais  Espíritos [“fantasmas”] poderão responder, muitas vezes verbalizando mesmo, porém na maioria das vezes o fazem por transmissão de pensamentos.” [4]

    Os “fantasmas” afáveis, quando surgem, têm intenções elevadas ou, no mínimo para confortarem pessoas queridas que padecem com a desencarnação de entes queridos e ou com a dúvida sobre a continuação da vida post-mortem; oferecerem sugestões ou, ainda, solicitarem auxílio para si mesmos, “o que pode ser feito através de orações e boas ações, no sentido de corrigir ou compensar as transgressões do morto. Mas os espíritos perversos também aparecem e estes, sim, têm o intuito de "assombrar" os encarnados movidos por sentimentos negativos.” [5]

    Os “fantasmas” , aliás, estão por toda parte e não temos a necessidade de vê-los para saber que podem estar ao nosso lado. “O Espírito [“fantasma”]que queira causar perturbação pode fazê-lo, e até com mais penhor, sem ser visto. Ele não é perigoso por ser Espírito [“fantasma”], mas pela influência que pode exercer em nosso pensamento, desviando-nos do bem e impelindo-nos ao mal.” [6]

    Em resumo, não é lógico assustar-nos mesmo diante da “assombração de um morto”.  Se raciocinarmos com calma compreenderemos que um “fantasma”, qualquer que seja, é menos perigoso do que certos espíritos encarnados que existem à sombra das leis humanas (marginais).


    Referências bibliográficas:

    [1]       KARDEC , Allan. O Livro dos Médiuns, II parte “das manifestações espíritas” capitulo VI “manifestações visuais”, RJ: Ed FEB 2000

    [2]      Disponível em https://www.bbc.com/portuguese/vert-fut-46515221   acessado em 25/12/2018.

    [3]       KARDEC, Allan . Revista Espírita, julho de 1860, DF: Ed Edicel, 2002
    [4]       KARDEC , Allan. O Livro dos Médiuns , II parte “das manifestações espíritas” capitulo VI “manifestações visuais”, RJ: Ed FEB 2000
    [5]       KARDEC, Allan . Revista Espírita, julho de 1860, DF: Ed Edicel, 2002
    [6]       KARDEC , Allan. O Livro dos Médiuns , II parte “das manifestações espíritas” capitulo VI “manifestações visuais”, RJ: Ed FEB 2000

    quinta-feira, 20 de dezembro de 2018

    A doença não pode ser instrumento de punição (Jorge Hessen)

    A doença não pode ser instrumento de punição   (Jorge Hessen)

    Jorge Hessen
    jorgehessen@gmail.com 
    Brasília/DF

    Os órgãos do corpo físico respondem a todos os estímulos (internos ou externos), determinando um encadeamento de reações, além dos estímulos físicos que impactam, através dos sentidos, as emoções ou sentimentos que também provocam reações. Estas excitam ou bloqueiam os mecanismos de funcionamento. Em verdade, o processo de preservação e deterioração de qualquer órgão tem uma relação direta com as emoções e os sentimentos.
    A cólera, a raiva, o temor, a ansiedade, a depressão, o desgosto, a aflição, assim como todas as emoções derivadas delas, sobrecarregam a economia saudável do corpo. Há outros fatores emocionais que podem influenciar patologias físicas, como relacionamentos afetivos infelizes, penúria econômica, desigualdade de renda e estresse relacionado ao trabalho profissional. Quando estamos tristes e depressivos por uma desilusão amorosa, ou quando estamos ansiosos e irritados por causa de dívidas, também desenvolvemos enfermidades.
    Mens sana in corpore sano ("uma mente sã num corpo são") é uma célebre frase latina, proveniente da Sátira X do poeta romano Juvenal. Nós somos o que sentimos. René Descartes já dizia que somos aquilo que pensamos. Quando as nossas emoções são reprimidas, elas acabam se constituindo na fonte de um conflito emocional crônico, segundo Sigmund Freud, que gerará distúrbios físicos ou psicológicos, se não forem aliviadas, mediante os canais fisiológicos competentes.
    O estresse é como um conjunto de reações fisiológicas produzidas pelo nosso organismo para reagir e se adaptar às situações apresentadas no dia a dia. O problema é que tais reações, psíquicas e orgânicas, podem provocar um desequilíbrio no nosso organismo caso ocorram de forma exagerada ou intensa, dependendo também do tempo de duração. Quanto mais durar o estresse, obviamente a ruína será maior.
    Adquirimos doenças porque não conseguimos conviver em harmonia com o meio e com as pessoas ao nosso redor. Enfermamos porque mantemos antipatias, inimizades, desgostos, culpas, arrependimentos, ressentimentos, temores e frustrações que não queremos superar. Por desconhecermos as nossas próprias emoções, muitas vezes desejamos ocultá-las dos outros, e de nós mesmos, mormente os pensamentos e os sentimentos egoísticos.
    Cada doença, cada dor, cada sofrimento, cada frustração, cada sintoma traz uma mensagem única e exclusiva para nós e apenas para nós. Quando estivermos prontos para abrigá-los e compreendermos o que elas querem nos dizer, estaremos aptos a andar firmes pelo caminho do nosso aperfeiçoamento espiritual que decisivamente passa pelas vias da nossa saúde moral.
    Naturalmente, as nossas doenças são advertências da vida para que venhamos a ter mais consciência de nós mesmos e dos nossos compromissos na família, na natureza e na sociedade, governando-nos pela vida caridosa, solidária e amorosa.
    Precisamos ter consciência de que doença e saúde são consequências das nossas livres escolhas através das emoções ou sentimentos, e tal responsabilidade não pode ser terceirizada. Além do quê, a doença não pode ser instrumento de punição. Na verdade, deve ser um expediente de aprendizado, na sábia pedagogia divina, convidando-nos ao exercício do amor

    quarta-feira, 19 de dezembro de 2018

    Congressos espíritas - “ISCAS” para vendas de apetrechos “doutrinários” (Jorge Hessen)

    Congressos espíritas - “ISCAS” para vendas de apetrechos “doutrinários” (Jorge Hessen)

    Jorge Hessen
    jorgehessen@gmail.com 
    Brasília/DF

    O “movimento espírita” contemporâneo é análogo à expressão “samba do crioulo doido”, criado pelo jornalista Sérgio Porto (Stanislaw Ponte Preta). Cada grupo, cada instituição, cada emissário federativo “oficial”, cada pregador, vai improvisando um singular "espiritismo à moda da casa”. Em face disso, as lideranças oficiais do “movimento espírita” sofisticam conteúdos, arquitetam novidades e adornam conceitos que deveriam ser simples.
    É inexplicável o “silêncio de múmia” das lideranças federativas perante as grotescas adulterações de A Gênese, no século XIX (presentemente reveladas e comprovadas). O que observamos no “movimento espírita” recente, é a reedição do desvio do projeto inicial, de 1857. Os eternos donos do “movimento espírita oficial” perderam o foco do Projeto Espírita Codificado por Allan Kardec e submergiram nos túmulos do ultramontanismo doutrinário, introduzindo um monte de coerções, crendices e ilusões teosóficas, esotéricas e roustanistas.
    O resultado não poderia ser outro - senão - a desunião doutrinária entre os espíritas no Brasil.
    Tudo isso são sequelas das proezas igrejeiras advindos dos ancestrais dirigentes oficiais da cúria febeana, com suas eternas recaídas de espírito de cúpula e infalibilidade. Desta forma, as constrangidas federativas cooperam para o sobrecarregado misticismo, especialmente ao recusarem espaço para os obrigatórios estudos comparativos entre A Gênese ORIGINAL e a febeana, até porque o autodenominado “órgão máximo” do movimento espírita brasileiro bateu o martelo sentenciando que a 5ª. edição mutilada de A Gênese é a definitiva.
    Nessa postura autoritária tal “órgão máximo” do movimento espírita brasileiro atravanca o curso natural das pesquisas, da compreensão, da racionalidade kardeciana,  a fim de que o movimento espírita livre prospere  nos estudos e lições legítimos de Allan Kardec,  que há 150 anos foram criminosamente lançados no  lixo da História pelo lunático Leymarie.
    Mudando um pouquinho de enfoque, informamos que está previsto para 2019 nas terras candangas, mais um soberbo congresso “espírita” destinado aos apatacados.  
    Tais eventos sempre foram excludentes , a rigor são folias religiosas, onde os oradores convidados (sempre são as mesmas figurinhas carimbadas que dão IBOPE) se ostentam para espectadores devotos, em meio a um espetáculo mercantil onde se comercializa de tudo, cd’s , dvd’s,  livros “psicografados”, camisetas impressas, quejandos dentre outros caraminguás diversos, stands sortidos (tipo Tem de Tudo), praças de alimentação etc. Tudo arranjado para deleitar à turba estrábica e ao mesmo tempo impedir que ideias adversas ao “poder oficial dominante” possam ser declarados.
    A mensagem espírita é veiculada através de palestrantes idolatrados por carregarem na bagagem da presunção seus discursos mansos que sempre resvalam no sapecado lugar comum. Discursadores que se creem atores globais sob reluzentes holofotes místicos das paródias populares, tudo sob o beneplácito dos organizadores, dotados de nenhum estofo doutrinário.
    Observa-se alguns pregadores, que se tornaram profissionais da tribuna espírita, com a finalidade de amealharem direta ou indiretamente os recursos financeiros oriundos das “palestras-chamarizes” como “ISCAS” para comercialização de CD’S, DVD’S e LIVROS que são vendidos para o público presente ou alienados para instituições interessadas.
    Seria possível que Allan Kardec sonhasse com esse modelo atual de “movimento espírita” à moda brasileira?  Estamos certos que NÃO!!!!  O Espiritismo sonhado por Kardec era o mesmo Espiritismo que Chico Xavier exemplificou por mais de setenta anos, ou seja, o Espiritismo do Centro Espírita simples, muitas vezes iluminado à luz de lampião; da visitação aos desprovidos de bens materiais, da distribuição do pão, da "sopa fraterna", da água fluidificada, do Evangelho no Lar etc.
    A rigor, a Doutrina Espírita é o convite à liberdade de pensamento, tem movimento próprio, por isso, urge deixar fluir naturalmente, seguindo-lhe a direção que repousa, invariavelmente, nas mãos do Cristo. Sim! E o grande desafio da Doutrina dos Espíritos deve ser o crescimento da qualidade, sem perder de vista a simplicidade que a caracteriza como Nova Revelação.

    sexta-feira, 14 de dezembro de 2018

    Sessões para os "curandeirismos" ilusórios (Jorge Hessen)

    Sessões para os "curandeirismos" ilusórios (Jorge Hessen)
    Jorge Hessen
    jorgehessen@gmail.com 
    Brasília/DF

    Kardec não priorizou o estudo específico da mediunidade de “cura” nas obras da  Codificação, a rigor, jamais  tocou no assunto sobre “cirurgiões do além”. Em face disso, é inteiramente contraditório e lamentável a forma de como alguns centros espíritas propõem sessões de “cura especial” através da incorporação de “espíritos cirurgiões” por meio de alguns médiuns “especiais”.
    Não ignoramos os efeitos relativamente atraentes contraídos por alguns incomuns médiuns de “cura”, contudo não entendemos como imprescindível e nem valorizamos esse tipo de mediunidade. As práticas mediúnicas fora das orientações de Kardec, são sempre espetacularizadas e não devem colonizar as instituições espíritas.
    Em que pese terem despertados curiosidades de cientistas e estudiosos no Brasil e no exterior em face do uso de apetrechos cirúrgicos estranhos , alguns até mesmo enferrujados, doutrinariamente jamais identificamos nas mediunidades de José Arigó, Rubens Faria, Edson Queiroz, João de Deus e semelhados como “médiuns” imprescindíveis para propagação dos princípios espíritas, não obstante seja o Espiritismo capaz de explicar as intervenções de “médicos do além” nos fenômenos de “cirurgias espirituais”.
    Obviamente quando os médicos encarnados compreenderem o valor da mediunidade (em suas várias tipificações) e sobretudo da obrigatoriedade de mudança de comportamento moral do homem, a medicina terrena ampliará o seu poder terapêutico.
    Não somos dos que aceitam ou deixem de aceitar um centro espírita sem “espíritos”, mas cremos que a legítima mediunidade transformadora, a da cura legítima e concreta, é a mediunidade da mudança de conduta, mediunidade do amor ao próximo, mediunidade da caridade, mediunidade da paciência, mediunidade da tolerância, mediunidade da benevolência, mediunidade da indulgência e mediunidade do perdão. Ou seja, uma instituição espírita também pode funcionar impecavelmente sem absoluta necessidade da mediunidade com “desencarnados”.
    Um Centro espírita  bem  orientado  não privilegia ou destaca  os fenômenos mediúnicos ditos “ostensivos”, especialmente aqueles agrupamentos espíritas imprudentes que apenas oferecem tratamentos de “cura” espiritual ou físico . A legítima instituição espírita deve priorizar (acima de tudo e de todos) as reflexões pelos os estudos, especialmente do Evangelho e ponto!
    Ah! Vociferam alguns, há muitos sofredores no mundo. Sim e daí? É óbvio que ninguém sofre os ressaibos das dores por prazer, mas a dor não provém de Deus, pois é apenas reflexo de quem erra e ponto! E quem não erra? Portanto, todos nós sofremos algum tipo de dor. Por isso, ofereçamos nas casas espíritas o Evangelho, eis aí o remédio para todas as dores.
    Fazer uso da mediunidade sem o adequado entendimento dos seus perigos pode levar a distúrbios mentais. Não estamos recriminando a mediunidade, todavia refletindo-a melhor, propondo enxergar maiores finalidades através do intercâmbio com o além tumulo.
    Ora, se a mediunidade está presente no cotidiano de cada um e se manifesta por diversas fontes e foi herdada nessa longa trajetória evolutiva que percorremos, ela deve ser aproveitada como potencial de transformação pessoal sem qualquer necessidade de apelos invocatórios e  sistemáticos aos irmãos do além. 
    Sim!! Nossa reforma íntima é o salvo-conduto para a espiritualidade e não a mediunidade ostensiva. Recordemos que os Espíritos não estão à nossa disposição para promover curas de patologias que quase sempre são providências corretivas para nosso crescimento espiritual no buril expiatório.
    Em resumo, os dirigentes de Centros espíritas deveriam promover as bases de estudos e reflexões sobre as propostas do Evangelho, em vez de prestigiarem sessões inócuas para os "curandeirismos" ilusórios.

    terça-feira, 20 de novembro de 2018

    Adão e Eva, “pecado”, “castigo”, “culpa” e o livre arbítrio (Jorge Hessen)

    Adão e Eva, “pecado”, “castigo”, “culpa” e o livre arbítrio (Jorge Hessen) 



    Jorge Hessen 
    jorgehessen@gmail.com 

    É ingênuo crermos no “pecado”, qualificado dogmaticamente como uma ofensa contra Deus, que por sua vez revida mediante o tal“castigo” que inflige ao “pecador”. Ora, vejamos que Deus não se ofende com os equívocos das suas criaturas em processo de evolução. Em face disso o tal “castigo” não é e nem pode ser uma espécie de vingança ou uma atividade pessoal do Criador (antropomórfico) para penitenciar o “pecador”. 

    Deus não pune; Deus AMA! Sobre isso, Jesus inovou o pensamento teológico ao apresentar Deus como um pai bondoso e justo, em substituição à divindade colérica, vingativa e caprichosa dos povos ancestrais. Na verdade, o indigesto dogma do “pecado” foi criado pela senil e heterônoma teologia humana. Advém dos espetáculos mitológicos protagonizados por Adão e Eva, que supostamente teriam desobedecido uma ordem divina e atraíram para si e para toda humanidade uma maldição que implicaria em toda sorte de males, dores, erros, crimes e tudo quanto fosse ruim. 

    Daí a pueril crença do “pecado original” na Terra, com a represália divina entre os homens através das doenças, da morte e todo tipo de contradição. Vagando por essas crendices, afirma-se que já nascemos “culpados”, que somos “pecadores”, que temos o DNA da transgressão, tudo isso por causa do escandaloso casal adâmico da velha mitologia. Garantem os arautos de tais imposições dogmáticas que se há injustiça no mundo, se crianças nascem defeituosas, se existe guerra, fome, tragédias e muita malignidade, tudo é culpa do “pecado original’; portanto, tudo procedente dos lendários Adão e Eva. 

    Perante a Lei de justiça divina, o adepto do Espiritismo recusa a ideia de transferência de responsabilidade dos atos errados dos outros, pois cada um é responsável por si naquilo que deliberar empreender. Pela lei da reencarnação, todos trazemos ao renascer as matrizes das imperfeições que mantemos. Deste modo, transportamos os germens dos defeitos que não superamos que se traduzem pelos instintos naturais e tendências para tal ou qual ação. É esse o sentido racional para o tal “pecado original”, ou seja, escolhemos sempre as experiências provacionais a fim de superá-las. 

    Quando nos desviamos do amor escolhendo arrastar-nos pelas paixões, entramos em rota de colisão com as Leis Divinas (inscritas na consciência) e criamos para nós o psiquismo desarmônico, mantendo as deficiências do senso moral. Ao desencarnarmos arrastamos para o mundo espiritual todas as imperfeições e ao renascermos trazemos as desarmonias conscienciais como tendências naturais. 

    O anseio íntimo pela liberdade consciencial rejeita o dogma do “pecado original” e da vassalagem cega a Deus. Reencarnamos muitas vezes na Terra ou em outros orbes realizando nosso aperfeiçoamento moral. Recordemos que no princípio de nossa evolução humana éramos “simples e ignorantes” (sem qualquer “pecado original”) e pela evolução chegaremos à perfeição moral. Portanto, penetramos na humanidade sob o manto de purezas e simplicidades; dessa forma nos tornamos gradualmente senhores e únicos depositários da consciência, cuja lesão ou bem-estar não dependem definitivamente senão de nossa vontade e das disposições do nosso livre-arbítrio. 

    O comportamento livremente deliberado acarreta consequências naturais. Se transgredimos as leis divinas da consciência atraímos consequências naturais e desagradáveis na medida da imperfeição moral que mantemos. Por isso, jamais devemos nos entender injustiçados ou apenados nas ocorrências da vida. E nem perseguidos, e muito menos punidos. 

    A “cada existência temos os meios de nos redimir pela reparação e de progredirmos, quer despojando-nos de alguma imperfeição, quer adquirindo novos conhecimentos, e assim, até que suficientemente aperfeiçoados, não necessitemos mais da vida corporal e possamos viver exclusivamente a vida espiritual, eterna e bem-aventurada. ” [1] 

    Somos reflexos das nossas livres escolhas, porém inevitavelmente somos por Deus amorosa e sabiamente conduzidos rumo à suprema felicidade, sempre na conformidade dos caminhos que sem coação elegemos através do uso cabal do livre-arbítrio. 

    Referência bibliográfica: 

    [1] KARDEC, Allan. A Gênese, 26ª Ed. Rio de Janeiro: FEB, 1984. Cap. I item 38

    terça-feira, 13 de novembro de 2018

    Conflitos de conduta e subjugação (Jorge Hessen)

    Conflitos de conduta e subjugação (Jorge Hessen)

    Jorge Hessen


    Charity era viciada em drogas e deu à luz o menino Paris.  Nove anos depois engravidou novamente e teve a menina Ella. O menino era mais introvertido e tímido, enquanto Ella era extrovertida, teimosa e determinada.
    Charity conseguiu ficar longe das drogas por alguns anos. Porém, quando Paris tinha 12 anos e Ella 3, teve uma recaída (por seis meses) com cocaína. Foi difícil para Paris perceber que sua mãe era uma viciada. Transtornado, com 13 anos de idade, ele sufocou e esfaqueou sua irmã 17 vezes com uma faca de cozinha. Após o crime, ligou para o 911, o número de emergência local. Paris disse à polícia que estava dormindo e que, ao acordar, viu que Ella tinha se transformado em um demônio em chamas. Então, ele teria pegado a faca e tentado matar o "demônio".
    Em 2007, Paris foi condenado a 40 anos de prisão pelo assassinato. Charity estava convencida de que o crime não havia sido um acidente ou resultado de uma psicose temporária, pois, para ela, Paris realmente quis matar a irmã. Charity acredita que a recaída nas drogas contribuiu para deixar Paris furioso. Entretanto, do mesmo modo crê que grande parte do que está por trás da personalidade do filho seja genética, pois o pai de Paris tinha esquizofrenia do tipo paranoica, caracterizada por exemplo pela presença de ideias frequentemente de perseguição, em geral acompanhadas de alucinações.
    Cremos que o ambiente familiar e social tem papel importante no desenvolvimento e manutenção de transtorno de conduta. Em alguns casos o uso de álcool e drogas pela mãe durante a gestação, e também de alguns medicamentos, já foram confirmados. As pessoas com transtorno de conduta são caracterizadas por padrões persistentes de comportamento socialmente inadequado, agressivo ou desafiante, com violação de normas sociais ou direitos individuais. São pessoas carentes de amor e de apreço pela sociedade, por isso ignoram o outro. Adotam costumes criminosos sem nenhum remorso, conservando-se frios e insensíveis ao que ocorre ao seu redor.
    Para a psicologia o “self” nessas pessoas é desconectado do “ego”, padecendo uma rachadura que impede o completo relacionamento que determinaria a sua adaptação ao grupo social. O Espiritismo explica que isso procede de legados morais e espirituais que brotam das experiências infelizes de outras existências, quando o Espírito delinquiu, camuflando a sua culpa e se esquivando da coexistência social. E há em muitos casos influências espirituais que podem levar a desviosde conduta e mau caráter.
    Allan Kardec esclarece que há vários tipos de obsessão, sendo o mais grave o de subjugação, em que o obsessor interfere e domina o cérebro do encarnado. A subjugação pode ser psíquica, física ou fisiopsíquica. Assim, as doenças mentais ou físicas também podem, de acordo com o conhecimento espírita, sofrer influências externas.
    Recuando à época de Jesus, conferimos que os evangelistas anotaram diversos episódios de obsessões. A exemplo de Lucas, que descreveu o homem que se achava no santuário, possuído por um Espírito infeliz, a gritar para Jesus, tão logo lhe marcou a presença: “que temos nós contigo?”. [1]
    Numa ação obsessiva, seguida de possessão e vampirismo, o evangelista Marcos escreveu sobre o auxílio seguro prestado pelo Cristo ao pobre gadareno, tão intimamente manobrado por entidades cruéis, e que mais se assemelhava a um animal feroz, refugiado nos sepulcros. [2] No episódio da obsessão envolvendo alma e corpo, o apóstolo Mateus anotou que o povo trouxe ao Mestre um homem mudo, sob o controle de um Espírito em profunda perturbação e, afastado o hóspede estranho pela bondade do Senhor, o enfermo foi imediatamente reconduzido à fala. [3]
    Na obsessão indireta, cuja vítima padece de influência aviltante, sem perder a própria responsabilidade, o discípulo amado João registrou que um Espírito perverso havia colocado no sentimento de Judas a ideia de negação do apostolado. [4] E na complicada obsessão coletiva causadora de “moléstias-fantasmas”, encontramos o episódio em que Filipe, transmitindo a mensagem do Cristo entre os samaritanos conseguiu que muitos coxos e paralíticos se curassem, de pronto, com o simples afastamento dos Espíritos inferiores que os molestavam. [5]
    Diante dessas inquietações espirituais, Emmanuel afirma que o Novo Testamento trata o problema da obsessão com o mesmo interesse humanitário da Doutrina Espírita. Em face disso, devemos manter-nos atentos e ampliar o serviço de socorro aos processos obsessivos de qualquer procedência, porque os princípios de Allan Kardec revivem os ensinamentos de Jesus, na antiga batalha da luz contra a sombra e do bem contra o mal. [6]

    Referências bibliográficas:
    [1]           Lucas  4: 33,35
    [2]           Marcos 5: 2,13
    [3]           Mateus 9: 32,33
    [4]           João 13: 2
    [5]           Atos 8: 5,7
    [6]           XAVIER, Francisco Cândido. Seara dos Médiuns, ditado pelo espírito Emmanuel, RJ: Ed. FEB, 2001


    segunda-feira, 5 de novembro de 2018

    Genética e caviares ante o mérito natural (Jorge Hessen)


    Genética e caviares ante o mérito natural (Jorge Hessen)



    Jorge Hessen

    O termo meritocracia provém do prefixo latino meritum ("mérito") e do sufixo grego cracia, ("poder”), sugere conjunturas conseguidas por mérito pessoal. É óbvio que a estrutura biogenética (os genes) não definem méritos individuais, embora posam influenciar. Considerando-se que há fatores ambientais e espirituais, os méritos pessoais não podem ser explicados somente por fatores genéticos.
    Vociferam, especialmente os ideólogos “caviar”, que há contradição na crença popular da “meritocracia”, considerando o modelo de hierarquização baseado nos méritos pessoais de cada indivíduo. Trombeteiam que nascer em berço de ouro é melhor do que nascer inteligente, porque duas pessoas geneticamente semelhantes podem ter pontuações diferentes no teste de QI, e as mais ricas investiram mais recursos escolares em seus filhos. Esbravejam assim os seguidores da “romanesca ideologia igualitária”, inclusive alguns “espíritas ateus”, conforme declara o blog http://espiritismoateu.blogspot.com/ (creia!).
    Essa “vã ideologia igualitária”, que extasia a mente desconexa de lógica, parece ser mais “justa”, e parece atender melhor à parte mais “desprotegida” da sociedade. Porém, a pauta do “igualitarismo” carrega consigo a nódoa desprezível da incapacidade de respeitar o livre arbítrio individual. A “fantasiosa ideologia igualitária” não conseguirá jamais se estabelecer com o consentimento dos cidadãos lúcidos. Em face disso precisa se impor à força para que os “mais iguaizinhos” (grupelhos saqueadores da liberdade individual) conduzam e proíbam a “liberdade” do resto da massa aturdida e reprimida.
    Via de regra, os oportunistas e ideólogos “esturjões” ou obsidiados por caviar são ateus, abrangendo, como se vê no blog acima, determinados “espíritas”...(espíritas!?...hum!!!!), materialistas e impetuosos mensageiros de sistemas [repressores] e incontestavelmente repletos de cobiça (fascinados por dinheiro – o materialismo). Tais criaturas bucólicas não compreendem que a tão sonhada e “folclórica ideologia igualitária” seria a curto prazo desfeita pelo pesadelo lógico da meritocracia e pela força das circunstâncias.
    As considerações espíritas certamente não podem ser entendidas de forma ingênua e fatalista, segundo o conceito de que as coisas são como são em decorrência unicamente de causas passadas e de que devemos nos sujeitar a elas. Rejeitarmos a extrema desigualdade social e fazermos o possível para reduzirmos as distâncias que existem entre as pessoas é obrigação de todos.  Indubitavelmente não é natural a desigualdade extrema na sociedade. É obra dos egoístas, e não de Deus. Mas essa desigualdade extremada desaparecerá quando o egoísmo e o orgulho deixarem de predominar. “Permanecerá porém a desigualdade do merecimento, pois que a cada um segundo seus méritos, como proferiu Jesus.” [1]
    Em verdade, “O Espiritismo [...] em face das doutrinas religiosas enfraquecidas, petrificadas pelo interesse material, impotentes para esclarecer o Espírito humano, ergueu-se uma filosofia racional, trazendo em si o germe de uma transformação social, um meio de regenerar a Humanidade, de libertá-la dos elementos de decomposição que a esterilizam e enodoam”. [2] A Justiça Divina se baseia no livre-arbítrio e nas ações individuais. Não é a opressão coletiva que fará um indivíduo social, fraterna ou moralmente melhor; é o mérito de cada um que refletirá no coletivo.
    Não é raro se fazer referência à meritocracia espírita, designada por Kardec como aristocracia intelecto-moral, desmerecendo-a por analogia à meritocracia vigente. A meritocracia espírita é fundamentada nas conquistas morais do Espírito encarnado. Os conceitos do Espiritismo defendem a meritocracia do ideário liberal, a liberdade individual e quem batalha por esses valores não deve ser tido como um antidemocrático.
    O conceito meritocrata reflete que o progresso depende diretamente do esforço individual que não é “recompensa”, mas consequência natural, efeito desejado, ou seja, só prospera quem escolhe avançar. Quem assim não age, padecerá as naturalíssimas decorrências educativas conexas. Todavia, do ponto de vista material, a sociedade organiza-se conforme o próprio nível moral dos seres, e quanto mais evoluída, mais o mérito é reconhecido como base da justiça.

    Referências bibliográficas:

    [1]       KARDEC Allan. O Livro dos Espíritos , questão 812,  RJ: Ed. FEB, 2000
    [2]       DENIS, Leon. Depois da Morte, capitulo 24, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 1998