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  • domingo, 29 de dezembro de 2013

    FORA DA GRATUIDADE NÃO HÁ ABSOLVIÇÃO (Jorge Hessen)

    Jorge Hessen
    http://aluznamente.com.br

    Analisemos o princípio contido no capítulo XXVI do Evangelho Segundo o Espiritismo e concluiremos que a regra “Dai de graça o que de graça recebestes” não se circunscreve apenas ao que se produz mediunicamente, todavia igualmente desaprova a mercantilagem , a usura , a agiotagem de qualquer procedência em nome da Codificação Espírita. Por justa razão Jesus recomendou que os intermediários (médiuns) entre o céu (mundo espiritual) e a terra  não poderiam receber dinheiro por essa tarefa. 
    O Criador não vende os benefícios que concede. A mediunidade é conferida gratuitamente por Deus para alívio dos que sofrem e (especificamente nas hostes espíritas) para difusão da Terceira Revelação, não podendo, pois ser empregada comercialmente. Essa reprovação de Jesus do comércio das coisas abençoadas recaiu sobre as permutas de muambas religiosas praticadas pelos vendilhões do Templo de Jerusalém. Ao expulsá-los, o Mestre deu enérgica demonstração de que não se deve comerciar com as coisas espirituais, nem torná-las objeto de especulação ou meio de cobiças.
    Os intérpretes dos Espíritos (médiuns) para instruírem os homens, mostrar-lhes o caminho do bem e conduzi-los à fé não podem apelar para o lucro material. Não devem, pois, vender-lhes as mensagens que não lhes pertencem, pois não são produto da sua lavra, nem de suas pesquisas, nem de seu trabalho pessoal. É diferente do trabalho, por exemplo, do médico, do advogado, do engenheiro, do professor, que oferecem o fruto dos seus estudos, dos seus esforços e até dos seus sacrifícios nos bancos acadêmicos e daí poderem auferirem lucros das suas aptidões, bem longe das hostes espíritas. Já o médium, sobretudo o “curador”, (re)transmite o fluido dos Espíritos e assim não pode vendê-lo sob qualquer contexto, seja onde for , fora ou dentro do ambiente kardeciano.
    O ancestral sacerdote druida da velha Gália anota que o Espiritismo compreendeu o lado sério da mediunidade, lançando o descrédito sobre a exploração e elevando a prática mediúnica à categoria de mandato sublime. Essa questão não se relativiza. O "dai de graça ao que de graça recebemos" não pode ser deformado. A única moeda que o Criador acolhe como câmbio é o amor ao próximo. O Espiritismo deve ser a disseminação da palavra de consolo tal como Jesus nos ensinou, tal como Ele pregava, tal como Kardec esperava, tal como Chico Xavier exemplificou, para todos e ao alcance de todos sempre gratuitamente.
    Ficamos estarrecidos assistir ao sepultamento da simplicidade da Terceira Revelação no jazigo dourado da especulação mercantil das palestras, dos seminários sob os aplausos provindos da população desprovida de raciocínio, das aclamações extravagantes, dos galanteios esplêndidos e delirantes. O Cristianismo primitivo, pela simplicidade dos primeiros núcleos cristãos, foi conquistando integralmente a sociedade de sua época, porém, lamentavelmente, com o esvair dos séculos, desgastou-se ideologicamente. O Evangelho conspurcou-se tragicamente por imposição dos interesses políticos, institucionais e principalmente financeiros, e ultimamente existe os que contam as moedas douradas arrecadadas em nome do Cristo, de mãos unidas com "Mamon". 
    Jesus assegurou que "digno é o trabalhador do seu salário", ora, o médium que exerce sua faculdade segundo o Cristo recomenda, sem interesses materiais ou egoístas, não deixará de receber uma correspondente recompensa espiritual. Todavia, inevitavelmente o médium mercenário atrairá para si os espíritos levianos, pseudo-sábios, malévolos.
    O Espiritismo não assenta com interesses comerciais, e a divulgação das mensagens do mundo espiritual não pode ser objeto de lucro financeiro, apenas moral. Notamos com bastante inquietação que setores influentes  do movimento espírita vem transformando-se em censurável balcão de negócio. Ressalvando-se as preciosas exceções e sem generalizar, percebe-se decidida argúcia, especificamente no trato comercial de livros espíritas de autores encarnados e desencarnados, de  CDs e DVDs, refletindo em boa dose a pretensão da compulsiva ganância, mormente quando são encarecidos os preços dos livros doutrinários.  
    Do exposto indagamos: será justo transformar um templo espírita em uma espécie de  agência mercantil? Em uma espécie de núcleo financeiro lucrativo? Será que os Benfeitores Espirituais consentem tal procedimento? Foi isso o que nos ensinou Kardec? Óbvio que não! 
    Viver o Evangelho, Sim! Ganhar dinheiro à custa da mensagem espírita, Nunca! 
    A Terceira Revelação veio para todas as pessoas. É forçoso que a exercitemos democraticamente junto aos deserdados material e intelectualmente. Caso contrário, no futuro, os centros espíritas serão transformados em estabelecimentos mercantis (visando lucros materiais), ou em espaço restrito aos notáveis abastados, sublevando-se o Evangelho do Cristo que somente será pregado para os que possuam saborosos cartões de crédito e ou débito e obviamente laureadas por títulos acadêmicos. 
    Entre os moldes atuais para a melhor difusão espírita cremos que é importante uma  revisão das estratégias e costumes mercantilistas, a fim de que a mensagem  do Espiritismo alcance todas as faixas sociais. Destarte, o acolhimento dos simples [espíritas desempregados, iletrados, pobres] no ambiente das reuniões espíritas é tarefa de primordial importância nos tempo em que vivemos. A divulgação doutrinária deve  ter como parâmetros o que é simples e viável para todas os centros espíritas mormente os de periferia. Lembremos que “as raposas têm covis, e as aves do céu têm ninhos, mas Jesus não teve onde reclinar a cabeça.”, segundo narra Mateus no oitavo capítulo,  versículo vinte.
    Não vão nossos lembretes destinados àqueles que revertem a mensagem espírita em prol das comprovadas obras filantrópicas (creches, asilos, hospitais etc...),  contudo  para os especuladores, os vendilhões ambiciosos. 

    sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

    O ESPÍRITO E O CÉREBRO SE DISTINGUEM SEM GRILHETAS MATERIALISTAS (Jorge Hessen)

    Jorge Hessen
    http//aluznamente.com.br

    James Fallon, neurocientista, professor de psiquiatria e comportamento humano da Universidade da Califórnia, passou anos pesquisando o cérebro de potenciais homicidas. Aos 58 anos de vida acreditava ser uma pessoa “normal”, tendo com referência a família equilibrada e intensa atividade acadêmica. Certa tarde de outubro de 2005, vasculhando exames de pessoas que sofrem desordens psiquiátricas graves, através das imagens cerebrais de assassinos misturados com esquizofrênicos, depressivos e outros cérebros “normais” teve uma singular surpresa. Na análise dos exames se deparou com determinada imagem que revelava o cérebro de um psicopata, todavia identificou que era o seu exame. Surpreendeu-se, afinal foi uma revelação chocante e começou a questionar a própria identidade. (1) Fallon descobriu que o seu cérebro apresenta “inativa” uma área ligada à conduta ética e à tomada de decisão. Observou igualmente que possui genes vinculados à violência. 
    Sob o guante das surpreendentes descobertas, publicou um livro intitulado “O psicopata no interior”, na obra esquadrinha alguns argumentos sobre as causas de um homem feliz no casamento e na profissão pode ser um psicopata com as mesmas características genéticas de um serial killer. (2) É difícil determinar precisamente o que faz de uma pessoa um psicopata. Na verdade, a anormalidade mental tem uma variedade de sintomas que nem sequer aparecem no manual de diagnóstico de transtornos mentais. James Fallon acredita que, graças em grande parte à sua educação e apoio de sua família, tem sido capaz de canalizar suas tendências psicóticas. 
    Para os Espíritos a nossa “mente é o campo da nossa consciência desperta, na faixa evolutiva em que o conhecimento adquirido nos permite operar”.(3) Destarte , “a mente transmite ao carro físico, a que se ajusta durante a encarnação, todos os seus estados felizes ou infelizes.” (4) Notamos no neurocientista da Califórnia, que a plenitude do Espírito (estado mental), embora possa ser influenciado pelo universo cerebral, mantém  preponderância sobre a “massa cinzenta”. Não fosse assim, seria ele, Fallon,  um fantoche  do mundo encefálico. 
    Para André Luiz, o cérebro é o ninho da mente.  O cérebro é o veículo da inteligência no mundo carnal, por isso, muitos neurologistas fazem da personalidade um atributo do cérebro, porém sabemos que “a inteligência [individualidade] é um atributo essencial do Espírito”.(5) Kardec, explanando a questão 368, diz o seguinte: “pode-se comparar a ação que a matéria grosseira exerce sobre o Espírito a de um charco lodoso sobre um corpo nele mergulhado, ao qual tira a liberdade dos movimentos.”(6)
    Atualmente há diferença essencial entre a neurociência acadêmica e a neurociência Espírita. Enquanto a primeira entroniza no cérebro o quartel-general da personalidade, a segunda faz da estrutura encefálica apenas mais um dos vários órgãos de manifestação do Espírito. Em que pese as limitações das capacidades do Espírito após a sua união com o corpo, por causa da densidade material, o corpo carnal não é mais que o invólucro do Espírito e este ao se unir ao corpo, conserva os atributos  espirituais. Sem dúvida que o corpo físico é um obstáculo à livre manifestação das faculdades do Espírito, como um vidro opaco se opõe à livre emissão da luz.
    Os órgãos são os instrumentos da manifestação das capacidades do Espírito. Essa manifestação está submissa ao desenvolvimento e ao grau de apuro dos atinentes órgãos. O Espírito tem sempre as aptidões que lhe são inerentes e não são os órgãos que lhe dão as capacidades, mas são as faculdades que impelem o desenvolvimento dos órgãos. Deste modo, a distinção das aptidões entre os homens dimana do estágio do Espírito. As qualidades do reencarnado, que pode ser mais ou menos adiantado, constituem o princípio, mas, obviamente “é necessário ter em conta a relativa influência da matéria, que pode limitar mais ou menos o exercício dessas faculdades.” (7)
    Sobre a questão do cérebro humano, o Espiritismo e a neurociência devem se complementar, pois, as leis do mundo espiritual e as leis do mundo físico são expressões de uma realidade comum. A neurociência precisa do Espiritismo, tanto quanto o Espiritismo encontra apoio na naeurociência; isolados, no estudo do cérebro não chegarão a um resultado final e se submergirão no labirinto de hipóteses arriscadas. Lembrando, contudo, que o Espiritismo marcha ao lado da ciência, mas não se detém onde a ciência tem seus limites.
    Inaceitável é  a ciência materialista insistir em  algemar o Espírito no cérebro, como se ele fosse um cativo, para ser fartamente dissecado, a fim de ser comprovado que o cérebro é o agente integral da personalidade. Ora, em verdade o Espírito continuamente tem se esquivado incólume desse reducionismo materialista. No século XIX, Kardec, conhecedor das teses de Franz Josef Gall, médico alemão, teórico da frenologia , (8) indagou aos Espíritos o seguinte: “da influência dos órgãos se pode inferir a existência de uma relação entre o desenvolvimento dos do cérebro e o das faculdades morais e intelectuais?” A  resposta dos Mentores Espirituais é fulgente : “Não confundais o efeito com a causa. O Espírito dispõe sempre das faculdades que lhe são próprias. Ora, não são os órgãos que dão as faculdades, e sim estas que impulsionam o desenvolvimento dos órgãos.”(9)
    Das relações existentes entre o desenvolvimento do cérebro e a manifestação de certas faculdades, concluíram alguns estudiosos materialistas que os órgãos do cérebro são a própria fonte das faculdades, ideia que tende para a negação do princípio inteligente estranho à matéria. Consequentemente, faz do homem uma máquina sem livre arbítrio e sem responsabilidade por seus atos, pois sempre poderia atribuir os seus erros à sua organização e seria injustiça puni-lo por faltas que não teriam dependido dele. Ficamos, com razão, abalados pelas consequências de semelhante teoria. Até porque, “a psicologia e a psiquiatria, entre os homens, conhecem tanto do Espírito, quanto um botânico, restrito ao movimento em acanhado círculo de observação do solo, que tentasse julgar um continente vasto e inexplorado, por alguns talos de erva, crescidos ao alcance de suas mãos.”(10)
    A Doutrina Espírita esclarece que “os órgãos têm uma influência muito grande sobre a manifestação das faculdades [espirituais]; porém, não as produzem; eis a diferença. Um bom músico com um instrumento ruim não fará boa música, mas isso não o impedirá de ser um bom músico.” (11) O Espírito age sobre a matéria e a matéria reage sobre o Espírito numa certa medida, e o Espírito pode se encontrar, momentaneamente, impressionado pela alteração dos órgãos pelos quais se manifesta e recebe suas impressões materiais”. (12)
    Há outra questão a ser considerada a respeito da influência captáveis cérebro humano. Tais  impressões podem advir de outras mentes de “encarnados e desencarnados que povoam o Planeta, na condição de habitantes dum imenso palácio de vários andares, em posições diversas, produzindo pensamentos múltiplos que se combinam, que se repelem ou que se neutralizam. Correspondem-se as ideias, segundo o tipo em que se expressam, projetando raios de força que alimentam ou deprimem, sublimam ou arruínam, integram ou desintegram, arrojados sutilmente do campo das causas para a região dos efeitos. (13)
    Avaliando essas variáveis , é certo que o Espiritismo e a neurociência, no futuro, poderão se entender não se contradizendo, todavia unidas, marchando conectadas, procurando todos os expedientes disponíveis no sentido compreender mais profundamente o homem. Caso contrário, a neurociência flutuará em um mar de equívoco, enquanto conceber que o Espirito está amarrado, unicamente, no universo  cerebral. Carece, pois, os estudiosos distinguirem as causas físicas das causas espirituais nos fenômenos psicológicos, a fim de  poder melhor explicar o enigma da função do cérebro humano.



    Referências Bibliográficas:
    (1) Na época, James Fallon também estava envolvido em um estudo de Alzheimer e havia feito exames de seu próprio cérebro e de familiares.
    (2) É um tipo de criminoso de perfil psicopatológico que comete crimes com uma certa frequência, geralmente seguindo um modus operandi.  Muitos dos que foram capturados aparentavam ser cidadãos respeitáveis - atraentes, bem sucedidos, membros ativos da comunidade. Geralmente os serial killers demonstram três comportamentos durante a infância, conhecidos como a Tríade MacDonald (Urinam na cama -Enurese noturna, Obsessão por incêndios -Piromania, Crueldade para com os animais).
    (3) Xavier, Francisco Cândido. Pensamento e Vida, ditado pelo espírito Emmanuel, RJ: Ed FEB, 4ª edição, 1975.
    (4) _______, Francisco Cândido e Vieira Waldo. Evolução em Dois Mundos, Ditado pelo Espírito André Luiz, RJ: Ed. FEB 2003
    (5) Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos, Rio de Janeiro: Questão 24, Ed. FEB, 1999
    (6) Idem questão 368
    (7) Idem  questões de 367 
    (8) Princípio  que alega  cada função mental a uma zona do cérebro, sustentando que a própria forma do crânio indica o estado das diferentes faculdades mentais.
    (9) _______, Allan. O Livro dos Espíritos, questão 370, Rio de Janeiro: Ed FEB, 1999-
    (10) Xavier, Francisco Cândido. Roteiro, ditado pelo Espírito Emmanuel, cap.  25 - Ante a vida mental, RJ: Ed. FEB, 1972
    (11) ______, Allan. O Livro dos Espíritos, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 2001, questão 372
    (12) Idem questão 375
    (13) ______, Francisco Cândido. Roteiro, ditado pelo Espírito Emmanuel, cap.  25 - Ante a vida mental, RJ: Ed. FEB, 1972

    segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

    A ÁFRICA ANTE A CULTURA DA VIOLÊNCIA SEXUAL

    Jorge Hessen
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    Relatório da American Public Health Association, de 2011, recém-divulgado, registra que ocorreram mais de 400 mil casos de violência sexual na República Democrática do Congo contra mulheres com idades de entre 15 e 49 anos. Em 2012, os centros de saúde em Kivu do Sul, uma das 11 províncias daquele país, registraram o atendimento diário de pelo menos 40 mulheres vítimas de estupro, segundo relatório do Office of the United Nations High Commissioner for Human. Destas, um terço era de crianças, das quais 13% menores de 10 anos.
    Nesse funesto panorama, cerca de 10% das mortes de mulheres no Congo é consequência de abortos ilegais (a maioria por vítimas de violência sexual). Os bebês que nasceram foram ou abandonados ou excluídos do convívio social ou até assassinados. Em face de provável componente étnico do conflito na região, os filhos de violência sexual se tornam automaticamente um "interahamwe" – referência à milícia hutu responsável pelo genocídio de tutsis em Ruanda, que se refugiou nas matas do vizinho Congo após o massacre.
    Existem distintas pesquisas revelando que 24% dos homens e 39% das mulheres foram vítimas de estupro noutros países africanos nesses últimos anos. Infelizmente, não somente no Congo ocorre a violência sexual, mas igualmente na África do Sul, hoje considerada a “capital do estupro” do mundo. Uma menina nascida no país que Nelson Mandela redesenhou tem mais chances de ser abusada sexualmente do que aprender o alfabeto e ler. Esta questão tem muitas origens culturais, pois que 62% dos meninos com mais de 11 anos creem que forçar alguém a cópula não é um ato de violência.
    Abolir a primitiva cultura da violência sexual demanda um governo arrojado e atuações direcionadas para acarretar transformações morais para alguns grupos africanos. As implicações das atrocidades no continente como observamos, dentre outras, são os abortamentos ou filhos rejeitados ou trucidados após a gestação. Nesses casos, sob o enfoque do Evangelho, considerando especificamente a cultura espírita, não há como acobertarmos o aborto, ou o abandono do rebento, em que pesem as variáveis na aplicação da Lei Divina, mormente em face do panorama calamitoso entre seres em escala evolutiva confessadamente primitiva.
    É difícil divisar como são exatamente os cenários de crise que vivem e viveram esses países africanos após amargarem anos sob os guantes da guerra e segregação racial. O que sobra dos valores construídos por um povo? Um espaço delimitado por fronteiras cuja cultura foi depauperada, e onde aqueles que largaram as armas se portam agora como algozes que molestam homens e mulheres a esmo e subjugam qualquer um a seu bel prazer. Mas que prazer é esse? Como explicar o comportamento animalesco que assumem esses estupradores? Aliás, de Angola também se noticiaram outras tantas barbaridades sexuais contra as mulheres.
    Podemos inferir que esses irmãos africanos incorreram no mesmo erro de antanho, e que talvez tenham se proposto a reparar através da reencarnação na região. Parece que o caos africano instiga os espíritos a cair no mal, quem sabe por indução maléfica de outros desencarnados que se alimentam dessa situação de terror. Obviamente os “milicianos” que trucidam os homens inimigos e violentam sexualmente as mulheres são espíritos em escala evolutiva muito primária. São seres muito próximos da irracionalidade.
    Naturalmente não podemos, perante tais flagelos, permanecer em estado de inércia compassiva, sob impulsos de petrificação emocional; até porque somos todos oriundos de um mesmo Senhor e a humanidade na Terra é constituída pela soma de todos nós.
    Inobstante os contrastes da vida social, considerando os mosaicos das culturas humanas, Jesus permanece na administração do Planeta. Há uma ordem nas coisas e não jazemos desamparados pelos prepostos do Mestre, que escoltam cada episódio e ajeitam o ensejo de correção para os que cometem infrações e o acolhimento das que padecem da estupidez dos perversos no curso da prova terrena.

    sexta-feira, 29 de novembro de 2013

    O ABORTAMENTO NUMA EXPECTATIVA DE TÉTRICA CRONOLOGIA NA PÁTRIA DO EVANGELHO. (Jorge Hessen)

    Jorge Hessen
    http://aluznamente.com.br
    Evidenciaremos algumas históricas táticas (arapucas abortistas) arquitetadas  sob macabra cronologia (anos após anos) na Pátria do Evangelho. Não será difícil identificarmos as ofensivas das fundações abortistas internacionais, da manipulada ONU, dos mal-intencionados governos brasileiro e das ONGs (criadas no Brasil como estratégias abortistas, patrocinadas por instituições estrangeiras), mirando, desde 1988, a implementação de uma agenda externa e financiamento milionário, no intuito  de simplificar o “assassinato de bebês” no útero materno. 
    Na “Pátria do Evangelho e Coração do Mundo”, o trabalho sistemático para hasteamento da flâmula abortista iniciou-se no final dos anos 80, como disse acima, sempre  patrocinado por capital  estrangeiro para criação de redes de ONGs pró-aborto no Brasil.  Uma das aberturas para a prática do extermínio de bebês no útero foi levada a cabo há mais de 20 anos na  implantação do primeiro serviço de abortos (em casos de estupro) em São Paulo. 
    Em 1990, através da abjeta Fundação MacArthur, dos  (EUA), assessorada por incautos professores da UNICAMP (alguns, membros do Population Council das organizações Rockefeller), iniciou-se o  cronograma de trabalho alvitrando a exclusão do Código Penal de todos os dispositivos que penalizam o abortamento no Brasil. 
    Na década de 1990, a Fundação Ford instituiu o emblemático conceito de “direitos sexuais e reprodutivos” e passou a organizar várias ONGs feministas e promotoras do ideário do assassinato de bebês no ventre materno, inclusive infligindo a nova ideologia da morte na Organização das Nações Unidas, que por sua vez deliberou reconhecer,  na Conferencia do Cairo, os “direitos sexuais e reprodutivos” e em 1995  aceitou , na Conferência de Pequim, os conceitos fundamentais da “ideologia de gênero”, passando a pressionar todos os países (que ainda não haviam legalizado o aborto) a liberalizarem a pena do morte do bebê no ventre materno,  denunciando-os de violarem o direito das mulheres sobre seus corpos.
    Em 1998, o governo brasileiro sancionou a norma técnica sobre os serviços de assassinatos de bebês no útero. O regulamento, em vez de ser denominada Norma técnica sobre procedimentos de aborto em casos de estupro, recebeu o “romântico” epíteto de Norma técnica sobre o tratamento dos agravos à violência contra a mulher. A nova regra permitiu e estendeu o aborto (em casos de estupro) do terceiro até o quinto mês da gravidez. A famigerada norma estabeleceu que  para a realização do homicídio do indefeso bebê no útero  basta a apresentação de um “B.O.” boletim de ocorrência policial da suposta vítima de “estupro”. 
    Na ocasião, com o apoio financeiro da execranda Fundação MacArthur, foram inaugurados os "Foruns anuais interprofissionais para implementação do atendimento ao aborto previsto na norma técnica", congregando todos os profissionais envolvidos nos serviços de assassinatos de bebês no ventre (em casos de abuso sexual).  
    Em 2005 o governo encaminhou projeto que propunha matar o neném na barriga materna , por qualquer motivo, durante todos os nove meses da gravidez. Contudo o abominável projeto foi reprovado em 2008, considerado inconstitucional na Comissão de Constitucionalidade da Câmara dos Deputados. 
    Em 2012, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu pela legalização da interrupção da gravidez em caso de fetos anencefálicos.  Obviamente os magistrados da suprema corte desconhecem que um feto, ainda que "anencéfalo", não pode perder a dignidade nem o direito de (re)nascer.
    Os causídicos abortistas do "anencéfalo" alegam que nele não há um ser humano. Porém, esse juízo jamais poderia ser aplicado ao "anencéfalo", "que se compõe em um organismo humano vivo, e por isso a única atitude ajustada com o Direito à vida  é a da compaixão, da indulgência, para com o feto de má formação encefálica. 
    Ainda que o feto seja portador de outras lesões graves e irreversíveis, físicas ou mentais, o corpo é o instrumento de que o Espírito necessita para sua evolução, pois que somente na experiência reencarnatória terá condições de reorganizar a sua estrutura desequilibrada por ações que praticou em desacordo com a Lei Divina. Dá-se, também, que ele se programe em um lar cujos pais, na grande maioria das vezes, estão comprometidos com o drama e precisam igualmente passar por essa experiência reeducativa. 
    Em março de 2013, o governo apresentou, para votação urgente e imediata, como uma “homenagem” ao Dia Internacional da Mulher, um projeto de lei sobre o "Tratamento dos agravos à violência contra a mulher". No dia 1º. de agosto de 2013, o governo sancionou a Lei 12.845/2013, conhecida como “Lei Cavalo de Tróia”, tornando a prática do aborto obrigatória, em todos os hospitais da rede do SUS.  
    Retomando a discussão sobre a legitimidade, ou não, do aborto, quando a gravidez é consequente a um ato de violência sexual, compreendemos que quando a mulher não se sinta com estrutura psicológica para gestar e criar o filho, a lei deveria facilitar e estimular a adoção da criança após nascida, ao invés de promover covardemente o seu extermínio no útero. 
    O Espiritismo, considerando o lado transcendente das situações humanas, estimula a mãe a levar adiante a gravidez e até mesmo a criação daquele filho, superando o trauma do estupro, porque aquele Espírito reencarnante terá possivelmente um compromisso passado com a genitora.
    Seria de boa lembrança o governo ter departamentos especializados de amparo material e psicológico a todas as gestantes, em especial, às que carregam a sobrecarregada prova do estupro. Portanto, é perfeitamente lógico que o aborto em decorrência de estupro não deva ser autorizado, porque o bebê não pode ser punido por fatos não almejados que determinaram sua gênese. 
    Outra questão defendida pelos homicidas de bebês  é o aborto “terapêutico”. Se o aborto, em tempos remotos, era cometido a pretexto de “terapia”, obviamente devia-se à ignorância médica. O aborto, ainda que supostamente “terapêutico”, é crime. Ademais, por que obstruir o método reparador que as Leis do Criador infligem ao espírito que se reencarna com deficiência? Será lícito tolher-lhe a caminhada evolutiva, em razão  da insensatez dos exterminadores de bebês no útero?
    O que expõe o Espiritismo  sobre as consequências para o Espírito abortado? Explicam-nos os Benfeitores do além,  que é uma existência nulificada e que ele (o abortado) terá que recomeçar o processo reencarnatório. Destarte a provocação do aborto, em qualquer período da gestação é delito gravíssimo, é uma transgressão a lei de Deus. 
    Uma mãe, ou quem quer que seja, cometerá crime sempre que tirar a vida a uma criança antes do seu nascimento, por isso que impede uma alma de passar pelas provas a que serviria de instrumento o corpo que se estava formando. A exclusiva e peculiar ressalva seria quando a gravidez pusesse em risco a vida da mãe, nesse caso não haverá dolo em sacrificar-se o bebê para salvar a mãe, pois preferível é se sacrifique o ser que ainda não existe a sacrificar-se o que já existe. ”(1)
    Não nos enganemos,  se no Brasil for legalizada a prática do aborto, a “Pátria do Evangelho” sofrerá, os ressaibos amargosos ante a Lei de Ação e Reação, e todas as demais consequências funestas  sobrevindas de  tal flagelo moral.

    Referência bibliográfica:
    (1) Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos, questões 357 , 358 e 359, RJ: Ed. FEB, 2001

    segunda-feira, 25 de novembro de 2013

    O ATEÍSMO MUNDIAL EM NÚMEROS INQUIETANTES (Jorge Hessen )



    Jorge Hessen
    http://aluznamente.com.br

    A propagação do ateísmo e do materialismo é inquietante. Nos dias atuais tem crescido o número de pessoas que se declaram sem religião. No Brasil, até os anos 70, elas eram menos de 1% da população. Nos anos 90, 5,1%; em 2013 mais de 15 milhões de brasileiros dizem não ter religião conforme o IBGE. Segundo dados da Enciclopédia Britânica, em 1994 cerca de 240 milhões de pessoas declaravam-se ateístas e mais de 900 milhões diziam-se não religiosas. Hoje o grupo dos que se declaram ateus, agnósticos (1) ou sem religião em todo o mundo só fica atrás daqueles que se dizem cristãos (2 bilhões de pessoas) e muçulmanos  (1,2 bilhão de pessoas).
    Na era do “homo tecnologicus”, os ateus, agnósticos ou não filiados a alguma religião formam 16,3% da população mundial (aproximadamente 1,2 bilhão de pessoas), percentual superior ao de hindus (15%), budistas (7,1%), seguidores de religiões étnicas ou folclóricas (5,9%) e judeus (0,2%).
    Crer ou não crer? - Os números do ateísmo no mundo são os seguintes: Na Suécia, 85% da população não acredita em Deus; na Dinamarca, 80%; na Noruega, 72%; no Japão, 65%. A China ocupa o 36º lugar no ranking de países com mais percentual de ateus (14%). Em números absolutos, porém, é onde vivem mais pessoas sem crença; na Rússia, 69 milhões; no Vietnã, 66 milhões; na Alemanha, 40 milhões, na França, 32 milhões; nos EUA, 26,8 milhões; na Inglaterra, 26,5 milhões. (2)
    O teórico ateu Mikhail Bakunin, da Rússia, afirmava que "a ideia de Deus implica a abdicação da razão e da justiça humanas; é a negação mais decisiva da liberdade humana e, necessariamente, termina na escravização do homem. Bakunin inverteu o aforismo voltairiano – “se Deus não existisse, seria preciso inventá-lo” – afirmando que se “Deus realmente existisse, seria necessário aboli-lo”. Não é por acaso que significativa parte dos que se declaram ateus, agnósticos ou sem religião estão em países comunistas ou ex-comunistas, onde tradicionalmente a religião foi rejeitada em grande medida.
    Não cremos que haja ateus na essência, embora entendamos que existam pessoas que divergem das concepções equivocadas acerca de um deus (minúsculo), criado pela teologia que foi formando na dinâmica dos evos. Porém, ateus convictos, isto é, fundamentados com contextos validos, não acreditamos que existam. A todo pensamento lógico, Deus surge, na verdade jamais como importância negativa, mas como positiva, fundamentante, como o Ser que torna plausível todo o existir.
    O complexo ideológico ateísta esbarra no problema do “mal” no contexto das revelações inconsistentes e no argumento da descrença. Outros assuntos do universo ateísta são de cunhos filosóficos, sociais e históricos. Os ateus tendem ao ceticismo em relação a afirmações sobrenaturais, citando a falta de evidências empíricas que provem sua existência (os materialistas têm alergia ao mundo espiritual). A demanda racionalista de Kant e do Iluminismo só acolhe o conhecimento deduzido pelo racionalismo lógico. Esta forma de “ateísmo” afirma que as divindades não são perceptíveis como uma questão de princípio e, portanto, sua existência não pode ser conhecida. O ceticismo, baseado nas ideias de Hume, por exemplo, afirma que a certeza sobre qualquer coisa é impossível, por isso nunca se pode saber da existência de um Deus.
    A obra “Essência do Cristianismo” publicada em 1841, por Ludwig Feuerbach, entusiasmou filósofos como Engels, Marx, David Strauss e Nietzsche. Feuerbach considerava que Deus é uma invenção humana e que as atividades religiosas são usadas para a realização de desejos. (3) Karl Marx e Friedrich Engels argumentaram que a crença em Deus e na religião são funções sociais, utilizadas para narcotizar a mente. Marx procurou “alforriar” o homem de Deus, entretanto, algemou-o a um outro deus (terrível, cruel e alienante), ou seja, o “estado totalitário”, cuja individualidade se torna volátil e aprisionada ideologicamente para escorar a grande máquina fabricante de abastanças para pequenos clãs dirigentes.
    Nietzsche regurgitava que Deus foi a maior ameaça do homem. O ceticismo nietzschiano do século XIX almejou “matar” Deus a fim de introjetar a ideia de um “Super-Homem”, ou seria o precursor do Clark Kent do planeta diário? Vamos raciocinar um pouco. De que maneira o irrequieto filósofo poderia proclamar a “morte” de um ente que, segundo expunha, inexistia? A “morte” de Deus nos termos em que se exprimem os nietzschianos (se possível distantes das “kryptonitas”), culmina na confissão de sua existência, exceto se pudéssemos “matar” o nada.
    É por essas e outras que Louis Pasteur afirmava no século XIX que “um pouco de ciência nos afasta de Deus. Muito, nos aproxima”. Esse pensamento induz a ideia de que uma noção científica pouco profunda serve tão somente para distanciar o homem de Deus e, em sentido contrário, leva à conclusão de que todos os profundos conhecedores da Ciência estão adjuntos de Deus.
    Por mais que os materialistas procurem justificar seu ateísmo, este só pode subsistir em palavras desocupadas, ocas, desprovidas de qualquer substância moral, filosófica e científica. Os Espíritos asseguram que “nunca houve povos de ateus. Todos seres compreendem que acima de tudo há um Ente Supremo.” (4) Para Allan Kardec, “sempre houve e haverá cada vez mais espiritualistas do que materialistas e mais devotos do que ateus.”. (5) Certa vez, o mestre de Lyon consultou a condição espiritual de um ateu desencarnado. Este revelou o seu estado psicológico no além, nos seguintes termos: “Sofro pelo constrangimento em que estou de crer em tudo quanto negava. Meu Espírito está como num braseiro, horrivelmente atormentado”. (6)
    A prova da existência de Deus está no axioma que aplicamos às ciências. Não há efeito sem causa, logo, tudo o que não é obra do homem a razão responderá. Para crer-se em Deus, basta se lance o olhar sobre as obras da Criação. O Universo existe, logo tem uma causa. Duvidar da existência de Deus é negar que todo efeito tem uma causa e avançar que o nada pôde fazer alguma coisa. Todos nós trazemos na consciência a certeza da existência de Deus que não poderia ser fruto da educação ou resultado de ideias adquiridas, pois se assim fosse por que existiria nos selvagens esse sentimento inato?
    É verdade! “Se o sentimento da existência de um ser supremo fosse tão-somente produto de um ensino, não seria universal e não existiria senão nos que houvessem podido receber esse ensino, conforme se dá com as noções científicas.”. (7)


    Referências bibliográficas:

    (1)            Enquanto os ateus negam a existência de Deus, os agnósticos garantem não ser possível provar a existência divina.
    (2)            Pesquisas de Phil Zuckerman (2007), Richard Lynn (2008) e Elaine Howard Ecklund (2010), ONU, adherents.com, American ReligiousIdentification Survey, The Pew Research Center, Gallup Poll, The New York Times, Good, Nature, Live Science e Discovery Magazine.
    (3)            Disponível em http://pt.wikipedia.org/wiki/Ate%C3%ADsmo  acesso em 24/11/2013
    (4)            Kardec Allan. O Livro dos Espíritos, questão 651 , RJ: Ed FEB, 2001
    (5)            Kardec Allan. A Gênese, Cap. XI item 4  RJ: Ed FEB, 2001.
    (6)            Kardec Allan. O Céu e o Inferno Segunda Parte, Cap. V , RJ: Ed FEB, 2001
    (7)            Kardec Allan. O Livro dos Espíritos, questões 4,5 e 6 , RJ: Ed FEB, 2001

    sábado, 23 de novembro de 2013

    Decomposição da Natureza - publicado na Revista O Consolador

    Publicado na revista O Consolador

    JORGE HESSEN
    jorgehessen@gmail.com
    Brasília, Distrito Federal (Brasil)

    Ao se desmatar as florestas, modificar cursos de rios, aterrar áreas alagadas e desestabilizar o clima, estamos destroçando as bases de uma rede de segurança natural extremamente sensível. Precisamos ficar atentos aos alertas dos peritos, pois já está demasiado claro que é apenas uma questão de tempo para as consequências funestas das previsões começarem a afetar, brutalmente, as nossas vidas e, principalmente, as vidas de nossos filhos e netos.
    A Terra assemelha-se a um organismo vivo, com mecanismos para autorregular suas funções. (1) Nesses últimos anos, os Estados Unidos passaram pela pior seca em mais de um século. Grandes extensões de terra da Rússia também não tiveram chuva suficiente. Até mesmo as temporadas de monções na Índia têm sido profundamente afetadas. Na América do Sul, o índice pluviométrico tem permanecido abaixo da média histórica. (2)
    Por que tanta ingratidão para com a Natureza, que trabalha sem cessar em nosso favor, oferecendo-nos recursos ilimitados? Lembremos que ela sofre e “reage” à agressão. No Sul do Brasil têm surgido com mais frequência inundações e ciclones quase sempre com cortejos de tragédias. Nos Estados Unidos os “tornados” vão estremecendo as estruturas da sociedade americana. Na Europa e em outras partes da Terra observamos o verão cada vez mais incandescente, causando incêndios em várias florestas, sem antecedentes na História.
    Estudos atuais atestam que a “mudança climática tem levado à morte cerca de 300 mil pessoas por ano, de fome (3), de doenças ou de desastres naturais, e o número deve subir para 500 mil dentro de 15 anos”. (4) Estima-se que o problema do clima afete 325 milhões de pessoas anualmente, e que, em duas décadas, esse número irá dobrar, atingindo o equivalente a 10% da população mundial da atualidade. Kardec, ao questionar a espiritualidade em “por que nem sempre a terra produz bastante para fornecer ao homem o necessário?”, recebe uma resposta que exemplifica bem o que vivemos hoje: “É que, ingrato, o homem a despreza! Ela, no entanto, é excelente mãe. Muitas vezes, também, ele acusa a Natureza do que só é resultado da sua imperícia ou da sua imprevidência. A terra produziria sempre o necessário, se com o necessário soubesse o homem contentar-se”. (5) 
    DESPERDÍCIO DA ÁGUA 
    Os recursos "renováveis" que se consomem e sua influência sobre o equilíbrio ambiental não podem ser relegados a questões de pouca gravidade, mormente levando-se em consideração o desperdício na utilização da água potável e outros recursos naturais. Não é arriscado afirmar que nos dias vindouros esse manancial venha a ser o pretexto mais evidente de guerra no planeta.
    Realmente há um gravíssimo problema a considerar: estamos usando mal a água potável. Sabe-se que no Brasil quase metade (isso mesmo, 50%) do volume recolhido nas fontes não chega até as torneiras das residências. Há, no meio do trajeto, vazamentos nos encanamentos, erros na medição do consumo e desvios provenientes de ligações clandestinas. O levantamento é do ISA (Instituto Socioambiental), organizador da campanha “De Olho nos Mananciais”, que tem por objetivo alertar a população para o uso racional da água. Essa realidade é verdadeiramente preocupante. Esse recurso está ficando cada vez mais escasso.
    Segundo pesquisas atuais – é importante salientar – a perda de água nas capitais brasileiras é de 6,14 bilhões de litros por dia, ou seja, 2.457 piscinas olímpicas, a cada 24 horas. Isso equivale a 45% de toda a água retirada das fontes. A ONU recomenda o uso de 110 litros, por habitante, por dia. 
    RECOMENDAÇÕES PARA USO DA ÁGUA NO DIA A DIA 
    Aprendamos, pois, a economizar água nas diversas situações da vida cotidiana. A exemplo do banho diário, habituemo-nos a fechar a torneira enquanto nos ensaboarmos durante o banho. Quando escovarmos os dentes, molhemos a escova, fechemos a torneira e, ao enxaguarmos a boca, usemos um copo com água. Ao lavarmos as mãos, lavarmos o rosto, ou ao fazermos a barba, sejamos igualmente racionais. Mantenhamos a válvula da descarga bem regulada e reparemos quaisquer vazamentos, assim que forem identificados. Ao lavarmos a louça, primeiramente, limpemos os restos de comida contidos nos pratos e nas panelas, para em seguida usarmos a esponja com sabão, previamente molhada. Para finalizarmos a tarefa, abramos a torneira para enxaguá-los. Lavar roupa também exige disciplina. Deixemos acumular uma quantidade razoável de peças, lavando-as de uma só vez, pois assim estaremos usando racionalmente esse tão precioso líquido. Após colocarmos água no tanque, não há necessidade de mantermos a torneira aberta enquanto ensaboamos a roupa, e aproveitemos a água do enxágue para lavar o quintal. Dessa forma, estaremos economizando não somente água, mas energia elétrica (para quem usa máquina de lavar). Quanto aos jardins, molhemos as plantas, usando um regador, em vez de utilizarmos a mangueira. Ao limparmos a calçada, basta que usemos a vassoura. 
    UM TERÇO DOS ALIMENTOS VAI PARAR NO LIXO 
    É urgente que se crie uma mentalidade crítica que permita estabelecer novos comportamentos, de olho na sustentabilidade da vida terrena. A sociedade deve fundar novos modelos de convivência, lastreados na fraternidade e no amor à natureza. Existem variados tipos de desperdício de difícil quantificação, mas identificáveis pelas lupas dos estudiosos, seja na construção civil, no saneamento básico, no funcionalismo público etc.
    Muitos de nós já presenciamos nas estradas brasileiras o desperdício de grãos transportados nas carrocerias dos caminhões que, numa rápida passada de olho, parece-nos “insignificante.” No entanto, esse desperdício representa uma significativa perda para os cofres públicos, que poderia ser evitado não fosse o descaso das autoridades competentes, em nossas rodovias, quanto a fiscalizar com maior rigor o transporte de tais produtos. Como se não bastasse, há ainda o sério problema da estocagem de grãos, feita de maneira imprópria em vários armazéns do país, de que temos notícia, redundando em vultosos prejuízos para a Nação. Até quando?
    Cerca de um terço dos alimentos produzidos no Brasil vão parar no lixo, sem qualquer chance de aproveitamento. O processo de perda de produtos tem início logo após a colheita, na zona rural. Muitos alimentos são encaixotados sem cuidado e em recipientes inapropriados. Nas situações inusitadas, igualmente, presenciamos desperdícios. Quantas vezes observamos nos banheiros públicos alguns usuários que, para enxugar as mãos, utilizam em excesso papel-toalha, quando duas folhas são o suficiente? É um gesto “insignificante”, que revela falta de educação e respeito ao próximo, o desperdício de material coletivo. A cidadania plena deve ser exercida nos pequenos gestos que, no conjunto da população, fazem uma grande diferença. São inúmeras as pequenas ações que poderiam ser educadas, por exemplo: torneira aberta, luz acesa, lixo nas ruas, poluentes no ar e nos rios etc. Tudo isso pode ser evitado se paralelamente à educação familiar fosse incluída a cidadania familiar. 
    CATÁSTROFES COLETIVAS 
    A natureza tem reagido à nossa indiferença. Muitas coletividades são alcançadas pelos terremotos, enchentes, furacões, desabamentos de encostas, tsunamis etc. Se nos estatutos de Deus não há espaços para o acaso, logo as catástrofes coletivas têm sua razão de ser, considerando que a vida nos oferta aquilo que a ela damos. A rigor, antes de reencarnarmos, sob o peso de débitos coletivos, somos informados na espiritualidade dos riscos a que estamos sujeitos, das formas pelas quais podemos quitar a dívida, porém, o fato por si só não é determinístico, até porque dependem de circunstâncias várias em nossas vidas para sua consumação, uma vez que a lei de causa e efeito admite flexibilidade, quando o amor rege a vida.
    Aquele que se compraz na caminhada pelos atalhos do mal e da indiferença à vida será trazido de volta às vias do bem pela própria lei. O passado, muitas vezes, determina o presente que, por sua vez, determina o futuro. Dizendo "quem com ferro fere, com ferro será ferido", Jesus corroborou a lei de Ação e Reação, ou de Causa e Efeito, amplamente ensinada pelo Espiritismo. Porém, cabe a ressalva de que nem todo sofrimento é expiação. No item 9, cap. V de O Evangelho segundo o Espiritismo, Allan Kardec assinala: "Não se deve crer, entretanto, que todo sofrimento por que se passa neste mundo seja, necessariamente, o indício de uma determinada falta: trata-se, frequentemente, de simples provas escolhidas pelo Espírito para sua purificação, para acelerar o seu adiantamento". (6)
    Naturalmente a Lei é para todos nós. Emmanuel nota que “quando retornamos da Terra para o Mundo Espiritual, conscientizados nas responsabilidades próprias, operamos o levantamento dos nossos débitos passados e rogamos os meios precisos a fim de resgatá-los devidamente. E antes de reencarnarmos, sob o peso de débitos coletivos, somos informados, no além-túmulo, dos riscos a que estamos sujeitos, das formas pelas quais podemos quitar a dívida, porém o fato, por si só, não é determinístico, até porque dependem de circunstâncias várias em nossas vidas a sua consumação, uma vez que, como disse acima, a Lei de causa e efeito admite flexibilidade, até porque o amor rege a vida e “o amor cobre uma multidão de pecados” (7); portanto, podemos resgatar dívidas do antanho, através da prática do Bem.
    Dessa forma, os que são vitimados pelos fenômenos naturais, aqueles que são considerados uma perturbação dos elementos, não o são por causas imprevistas, pois "tudo tem uma razão de ser e nada acontece sem a permissão de Deus". (8) É verdade! Os terremotos, os furações, as inundações, as erupções vulcânicas e outras catástrofes naturais são e serão parte inevitável da dinâmica da natureza, mas isso não significa dizer que não possamos fazer alguma coisa para nos tornarmos menos vulneráveis. Por mais complexos que sejam os desafios a encarar, por conta do próprio desmazelo humano, potencializemos a vontade de nos harmonizar com a natureza e ajustemo-nos com  as Leis de Deus, inscritas na consciência de cada um. 
    INFLUÊNCIA AMBIENTAL 
    Sem dúvida, o clima e o meio ambiente exercem grande influência sobre todos nós. A realidade climática é constituída de vários elementos, a saber: temperatura, chuva, umidade, ventos, massas de ar e pressão atmosférica. Esses elementos sofrem a influência de vários outros fatores, como por exemplo: a posição astronômica e geográfica da região ou país, a configuração do território, as altitudes e as linhas mestras do relevo, fenômeno meteorológico etc.. Em face disso, Emmanuel admoesta: "O meio ambiente em que a alma renasceu, muitas vezes constitui a prova expiatória, com poderosas influências sobre a personalidade. Faz-se indispensável que o coração esclarecido coopere na sua transformação para o bem, melhorando e elevando as condições materiais e morais de todos os que vivem na sua zona de influência". (9)
    Atualmente a ciência está transformando radicalmente o nosso modo de vida junto à Natureza. A invasão tecnológica é tão evidente especialmente no uso de smartphones, por exemplo, em que podemos acessar a Internet, enviar e receber e-mails, mensagens de texto, ver TV, ouvir músicas, baixar filmes, tirar fotos, usar GPS e, obviamente, fazer uma ligação telefônica. Não há dúvida de que os computadores nos poupam de tarefas rotineiras, permitem que façamos compras e operações bancárias sem sair de casa, ajudam-nos também a manter contatos com pessoas ou corporações através de e-mails, correio de voz ou vídeos e até mesmo  fazer amizades. Sim, e daí?
    Em que pese todo esse recurso tecnológico, lamentavelmente ainda amargamos os contrastes dessa soberana ciência no palco da informática, da telecomunicação, ao tempo em que ainda temos que conviver com muita insensibilidade ao meio ambiente. Por outro lado, e menos mal nos parece, considerando a Lei de Evolução, a necessidade de destruição da natureza “se enfraquece no homem, à medida que o Espírito sobrepuja a matéria”. (10) Realmente, a consciência de proteção ambiental cresce com o nosso desenvolvimento intelectual e moral. 
    CONSCIÊNCIA CRÍTICA  
    Urge que se crie uma mentalidade crítica, que permita estabelecer novos paradigmas comportamentais tendo como escopo a sustentabilidade da vida humana. A sociedade deve formatar novos modelos de convivência, lastreados na fraternidade e no amor. A falta de percepção da interdependência e complementaridade entre os indivíduos gera, cada vez mais intensamente, o desequilíbrio do meio ambiente. O cientista Stephen Hawking, em seu livro "O Universo numa Casca de Noz", expõe de forma curiosa que "Uma borboleta batendo as asas em Tóquio pode causar chuva no Central Park de Nova Iorque”. (11) Explica que "não é o bater das asas, pura e simplesmente, que gerará a chuva, mas a influência deste pequeno movimento sobre outros eventos em outros lugares é que pode levar, por fim, a influenciar o clima”. (12)
    A Federação Espírita Brasileira, juntamente com os centros espíritas, podem e devem contribuir para maior conscientização dos espíritas sobre a necessidade de preservação dos recursos naturais, “estudando e debatendo sobre o tema à luz do Espiritismo; desenvolvendo campanhas e eventos que visam melhorar as condições socioambientais; utilizando para as publicações impressas, como livros, revistas, mensagens avulsas etc., papel reciclado e tintas que reduzem o impacto ambiental; usando mais o correio eletrônico para reduzir o uso de papel, tinta etc.; publicando obras que analisem estes temas sob a ótica espírita; estimulando a pesquisa nas obras fundamentais da Doutrina Espírita para melhor compreendermos a necessidade de cuidar do planeta e fundamentarmos as ações e as campanhas de sensibilidade ecológica; proporcionando, mediante treinamento, a inserção da temática ambiental à luz do Espiritismo no das atividades educativas de evangelizadores espíritas da infância e da juventude, bem como, de facilitadores do ESDE no âmbito do Ser promovendo uma ética ambiental alicerçada na fraternidade preconizada pelo Cristo e no sentido mais amplo de família universal que se pode apreender do Espiritismo”. (13)
    Enquanto as doridas transformações desses momentos de ruína moral se anunciam, ao tilintar sinistro das moedas, ecoando nas bolsas de valores, as forças espirituais se reúnem para a grande reconstrução da Nova Era. Aproxima-se o instante em que todos os valores morais humanos serão revistos, para que, com novas energias criadoras, um novo modelo de mundo triunfe sobre a carga destrutiva das consciências insanas que hoje habitam o educandário da vida. Nesse fenômeno, o ensinamento de Jesus não passou e não passará jamais. 
    O EVANGELHO EM FAVOR DA NATUREZA 
    Ante os impactos ambientais, recordemos sempre que a mensagem do Cristo é o grande edifício da redenção humana em favor da natureza e da sociedade, que haverá de penetrar em todas as consciências humanas, como um dia penetrou nas consciências de Vicente de Paulo, da irmã Dulce, de Francisco de Assis, da Madre Teresa de Calcutá, de Chico Xavier. Na luta sofrida das civilizações, Jesus é o archote do princípio, e nas Suas sacrossantas mãos repousam os destinos da Terra. Não podemos olvidar que Ele é o Caminho que nos induz aos iluminados conceitos da Verdade, onde recebemos as gloriosas sementes da sabedoria, que dominarão os séculos vindouros, preparando nossa vida terrena para as culminâncias do amor universal no mais profundo respeito à natureza.
    Do exposto, saibamos compreender que a Natureza “é sempre o livro divino, onde a mão de Deus escreveu a história de sua sabedoria, livro da vida que constitui a escola de progresso espiritual do homem evoluindo constantemente com o esforço e a dedicação de seus discípulos. Nos reinos da Natureza palpita a vibração de Deus, como o Verbo Divino da Criação Infinita; e, no quadro sem-fim do trabalho de experiência, todos os princípios, como todos os indivíduos, catalogam os seus valores e aquisições sagradas para a vida imortal”. (14) 

    Referências bibliográficas:  

    1 Teoria que afirma ser o planeta Terra um ser vivo. Apresentada em 1969 pelo investigador britânico James E. Lovelock, a Teoria de Gaia, também conhecida como Hipótese Gaia, diz ser a biosfera terráquea capaz de gerar, manter e regular suas próprias condições de meio ambiente.
    2 Disponível no site
    http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2012/10/121016_alimentos_crise_dg.shtml
    3 Pelo menos 56 países estão em uma situação "grave" ou "muito grave" por suas insuficiências alimentícias, como Eritreia, Burundi e Comores, segundo o Índice Global da Fome de 2013 apresentado em Berlim. O Índice Mundial da Fome, que chega a sua oitava edição neste ano (2013), é resultado de um trabalho elaborado em conjunto pelo Instituto Internacional de Investigação sobre Políticas Alimentares (IFPRI, na sigla em inglês) dos Estados Unidos e as ONGs Concern Worldwide e Welthungerhilfe, da Irlanda e da Alemanha, respectivamente. Disponível no site  "http://www.efeservicios.com"www.efeservicios.com acesso 13/10/2013
    4 Conforme Relatório Fórum Humanitário Global (FHG), instituição com sede em Genebra
    5 Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos, RJ: Ed. FEB, 2001, perg. 705
    6 Kardec, Allan. O Evangelho segundo o Espiritismo. Rio de Janeiro: Ed. FEB, 2001, item 9, cap. V

    7 I Pedro, 4:8

    8 Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos, RJ: Ed. FEB, 2001, perg. 536
    9 Xavier, Francisco Cândido. O Consolador, ditado pelo Espírito Emmanuel, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 2001, perg. 121
    10 Kardec Allan. O Livro dos Espíritos, RJ: Ed. FEB, 2001, perg. 733.
    11 Hawking, Stephen. O Universo Numa Casca de Noz, São Paulo: Ed. Mandarim, 2a Edição, (2002).
    12 Idem
    13 Bertoldo Helena da Silva. Entrevista para Revista O Consolador “É urgente desenvolver ações educativas que preservem o meio ambiente”, disponível no site http://www.oconsolador.com.br/ano4/194/entrevista.html acesso 16/10/2013
    14 Xavier, Francisco Cândido. O Consolador, ditado pelo Espírito Emmanuel, pergs. 27, 28 e 121, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 200.

    sexta-feira, 15 de novembro de 2013

    ANOMALIAS MORAIS E POLUIÇÃO ATMOSFÉRICA SÃO CANCERÍGENAS? Jorge Hessen

    Jorge Hessen
    http://aluznamente.com.br

    Pesquisadores mais pessimistas preveem o plausível aniquilamento da vida vegetal, animal e humana como decorrência dos descomunais estragos causados pelas indústrias, comércios e escambos modernos. Será possível tal aniquilamento em face das atuais agressões à natureza? Sem dúvida, pois estamos dilacerando, não a natureza, mas a nós mesmos e arcaremos as consequências pelos nossos crimes contra o meio ambiente. Chico comentou certa vez que “aqueles que acreditarem na preservação da natureza acima de seus próprios interesses auxiliarão na defesa do mundo natural, da vida simples na Terra, que poderia ser uma vida de muito mais saúde e de muito mais tranquilidade se respeitássemos coletivamente todos os dons da natureza. Mas, se continuarmos agredindo-a demasiadamente, pagaremos o preço, porque depois voltaremos em novas gerações, plantando árvores, acalentando sementes, modificando o curso dos rios, despoluindo as águas, drenando os pântanos e criando filtros que nos libertem da poluição. O problema será sempre do homem. Teremos que refazer tudo, porque estamos agindo contra nós mesmos.” (1)
    Uma sociedade que destrói o meio ambiente é uma sociedade insana. Não é possível esperar a chegada de uma  “Nova Era” algemados na inércia da indiferença à natureza. Sem os devidos valores morais, muitos retornaremos a esse mundo pelas vias da reencarnação difícil. Se ainda almejarmos encontrar aqui estoques razoáveis de água potável, atmosfera límpida, campos produtivos, lixos reciclados  e um clima estável – sem os açoites oriundos da combustão crescente de petróleo, gás e carvão que ultrajam o efeito estufa – é urgente atuar já, sem demora.
    Como se não bastasse, a  Agência Internacional de Pesquisas sobre o Câncer (IARC), vinculada à Organização Mundial da Saúde (OMS), divulgou recentemente a classificação da poluição do ar exterior como cancerígena. Não precisamos ser especialistas para sabermos que poluição causa câncer. Dizem o que já sabíamos de sobejo, ou seja, a exposição à poluição do ar provoca câncer de pulmão. Mas sabemos que não somente o ar está contaminado, mas a água “potável” da mesma forma está infectada, os alimentos estão intoxicados. 
    É gravíssima a atual poluição atmosférica, em face das substancias insalubres lançadas pelas chaminés das fábricas, quais bocas de dragões, expelindo substâncias danosas em forma de detritos, pelos motores de veículos automotivos a se multiplicarem delirantemente e imobilizando as cidades , pelos agrotóxicos empregados nos campos, pela queima de combustíveis fósseis, pelas usinas atômicas. Em verdade, por onde o homem passa fica os sinais maléficos da sua marcha, em forma de poluição,  esterilidade, desmoronamento e extinção.
    Sobre a poluição atmosférica seria interessante pressionar os governantes pela adoção de leis severas para  preservação ambiental, a fim de que os transgressores sejam penitenciados exemplarmente. É preciso conscientizar os consumidores a lutar pela sustentabilidade ambiental, isto é, mudar seus hábitos e necessidades de compra pensando na sobrevivência ambiental das futuras gerações.  É importante modificar o sistema de consumo tornando-nos compradores mais cônscios que elegem de forma consciente o que consumir, coagindo o comércio a vender produtos ecologicamente adequados. Dia virá em que todos os produtos serão ecologicamente corretos e a economia despoluída, porque será exercida sob os princípios do respeito ao habitat ambiental. 
    A Natureza é sempre o livro divino, “onde as mãos de Deus escrevem a história de sua sabedoria, livro da vida que constitui a escola de progresso espiritual do homem, evolvendo constantemente com o esforço e a dedicação de seus discípulos.” (2) As manifestações de vida nos vários reinos da Natureza, abrangendo o homem, significam a expressão do Verbo Divino, em escala gradativa nos processos de aperfeiçoamento da Terra “em todos os reinos da Natureza palpita a vibração de Deus, como o Verbo Divino da Criação Infinita, e, no quadro sem-fim do trabalho da experiência, todos os princípios, como todos os indivíduos, catalogam os seus valores e aquisições sagradas para a vida imortal.”(3) O meio ambiente influi no espírito e  “muitas vezes constitui a prova expiatória; com poderosas influências sobre a personalidade, faz-se indispensável que o coração esclarecido coopere na sua transformação para o bem, melhorando e elevando as condições materiais e morais de todos os que vivem na sua zona de influenciação.” (4)
    Há muitos tipos de poluentes que intoxicam a psicosfera terrena que efetivamente causa todos os tipos de cânceres. Um delas é a poluição mental onde o homem produz terrível poluição psíquica, deletéria quão incontrolável em face do cultivo de deploráveis modos em que insiste e se regozija, obviamente isso interfere na ecologia psicosférica da terra, empeçonhando de dentro para fora e desconjuntando de fora para dentro.
    Hoje, à luz da ciência médica, pode-se afirmar que o fator predominante da origem do câncer é, sem dúvida, o comportamento humano: tabagismo,  abuso de álcool, maus hábitos alimentares e de higiene, obesidade e sedentarismo, poluição de todas as espécies os quais são responsáveis por quatro, em cada cinco casos de câncer e por 70% do total de mortes. Os cânceres por herança genética pura, ou seja, que não dependem de fatores comportamentais e ambientais,  são menos de 5% do total. A experiência corrobora que o câncer é uma enfermidade do indivíduo, potencialmente, “cármica”. Estamos submetidos a um mecanismo de causa e efeito que nos premia com a saúde ou corrige com a doença, de acordo com nossas ações. “O corpo físico reflete o corpo espiritual que, por sua vez, reflete o corpo mental, detentor da forma”. (5)
    Obviamente, não precisamos insistir na busca de vidas passadas para justificar o câncer: É óbvio que grande incidência de câncer no pulmão, ocorrem em pessoas que fumam na atual encarnação. Muitas formas de cânceres têm sua gênese no comportamento moral insano atual, nas atitudes mentais agressivas, nas postulações emocionais enfermiças. “O mau-humor é fator cancerígeno que ora ataca uma larga faixa da sociedade estúrdia.” (6) O ódio, o rancor, a mágoa, a ira são tóxicos fulminantes no oxigênio da saúde mental e física, consomem a energia vital e abrem espaços intercelulares para a distonia e a instalação de doenças. São “agentes poluidores e responsáveis por distúrbios emocionais de grande porte, são eles os geradores de perturbações dos aparelhos respiratório, digestivo, circulatório. Responsáveis por cânceres físicos, são as matrizes das desordens mentais e sociais que abalam a vida” (7)



    Referências bibliográficas:

    (1) Xavier, Francico Cândido. Mandato de Amor, Belo Horizonte: Editado pela União Espírita Mineira
    (2) Xavier, Francico Cândido. O Consolador, ditado pelo Espirito Emmanuel, perg. 27, RJ: Ed FEB, 1990.
    (3) Idem , perg. 28.
    (4) Idem , perg. 121
    (5) Xavier, Francisco Cândido. Evolução em Dois Mundos , ditado pelo espírito André Luiz 15ª edição, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 1997
    (6) Franco, Divaldo. Receita de Paz, ditado pelo espírito Joanna de Angelis, Salvador: Ed. Leal, 1999
    (7) Franco, Divaldo Pereira. O Ser Consciente, Bahia, Livraria Espírita Alvorada Editora, 1993

    quinta-feira, 7 de novembro de 2013

    SILVÍCOLA VERSUS CIVILIZADOS – O INALTERÁVEL “APARTHEID” SOCIAL. Jorge Hessen

    Jorge Hessen
    http://aluznamente.com.br

    Muitos compatrícios “civilizados” têm menosprezado os valores dos indígenas brasileiros. Alguns os acusam de malandros, ardilosos e preguiçosos. A rigor, o assunto sobre eles [“incivilizados”] não é debatido com frequência e quando é abordado é feito de modo burlesco. Alguns creem que os indígenas representam personagens adstritos ao passado do Brasil e que deixaram de ter importância histórica após a urbanização das cidades. Essa concepção superficial redunda na construção de uma imagem dos primeiros habitantes do país totalmente distorcida, apesar de cerca de 40% dos brasileiros terem algum parentesco com um silvícola ancestral.
    Atualmente, todos os tipos de anomalias patológicas existentes nas áreas urbanas são disseminados nas pequenas áreas remanescentes (habitats) dos indígenas, inclusive alcoolismo e suicídios. Os fatores preponderantes são atribuídos à maior proximidade com as atmosferas citadinas e a intensificação do contato com a sociedade “civilizada”. Isso estabeleceu um processo de marginalização e paradoxal aproximação com o modus vivendis da modernidade. A rigor, o “silvícola” tem sofrido com a violência, o preconceito e a falta de efetivação de direitos fundamentais de sobrevivência. Os estudiosos consideram que as garantias dos “incivilizados”, estabelecidas pela Constituição brasileira de 1988, estão em risco devido ao avanço dos interesses econômicos, sobretudo no campo.
    Não tem sido fraterno o relacionamento social entre “civilizados” e “silvícolas”. Não esqueçamos que a lei de evolução governa os ditames da Criação. Todos estamos em processo de evolução. Em nossa origem primordial somos dominados pelos instintos. A inteligência só gradativamente vai se desenvolvendo em cada um de nós. Todos fomos criados em estado de integral simplicidade e absoluta ignorância. Contudo, gradualmente nos afastamos das condições primárias através de múltiplas experiências e iniciamos longo processo de aprendizado e desenvolvimento, tendo como destino a angelitude.
    O mesmo ocorre com os indígenas, que são espíritos no estágio de infância relativa e que também chegarão à angelitude. Tais seres são relativamente desenvolvidos, porque já nutrem paixões, e as paixões são indícios de desenvolvimento. São sinais de atividade e de consciência do eu, portanto, nos espíritos primitivos a inteligência e a consciência se acham presentes. A demanda que anotamos aqui é a forma de como os “civilizados” têm convivido com os “incivilizados” de todos os tempos. Sabemos a priori que para serem legítimas as aquisições das civilizações contemporâneas, é necessário estarem alicerçadas nos valores éticos, sem os quais as conquistas se convertem em emanações peçonhentas que culminam por aniquilar quem as promove.
    Quando um espírito sai do estado silvícola ou de barbárie e, por força do progresso, adquire novos conhecimentos, tem início o acesso à civilização, mas essa civilização é ainda imperfeita em face da incompletude do seu progresso. Uma civilização só é completa pelo seu desenvolvimento moral. Obviamente, “não podemos responsabilizar a civilização pelos desvarios do mundo, mas sim o homem que a desfigura.”. (1) Portanto, a civilização é um estágio da evolução da humanidade, porquanto reflete o grau de moralidade e organização que nos é útil. Estágio este ainda incompleto, pois que embora imperfeito, a civilização demonstra o quanto fomos capazes de evoluir em organização e o quanto ainda necessitamos melhorar.
    Dizem os Espíritos que “nenhuma sociedade tem verdadeiramente o direito de dizer-se civilizada senão quando dela houver banido os vícios que a desonram e quando ali as pessoas viverem como irmãos, praticando a caridade cristã. Até que isso seja alcançado, ela será apenas um conjunto de pessoas esclarecidas, que terão percorrido a primeira fase da civilização.”. (2) Portanto, não tão distantes dos indígenas, aborígenes e outros nativos.
    Pedimos licença a fim de recordar as históricas agonias sofridas pelos nativos de todos os rincões. Veio-nos à mente o caso dos aborígenes australianos no início da colonização europeia em 1770. Os colonos ingleses trataram os nativos da Austrália com racismo e violência física. Perpetraram chacinas espantosas, estabeleceram leis discriminatórias. Nos idos de 1950, com o país já independente do tacão inglês, permanecia a discriminação racial contra qualquer indivíduo que não fosse de genealogia britânica.
    No decorrer do século XX, o governo australiano retirou 100 mil crianças aborígenes dos pais (a maioria de pele clara, ou seja, mestiços) e as internou em centros educativos para incutir nelas a cultura ocidental. Esse tipo de ação foi denominada "Política de Assimilação". Os estudiosos batizaram o processo de "geração roubada" essas crianças “sequestradas” dos pais. Consta nos noticiários internacionais que, em 2008, John Howard, primeiro-ministro da Austrália, lamentou publicamente esse fato, mas não quis pedir desculpas oficiais, pois isso iria acarretar em milhões de dólares de indenizações para as famílias ou seus descendentes.
    À medida que a civilização avança no tempo cria novas necessidades, estabelece novas fontes de angústias e violências. “As desordens sociais estão na razão das necessidades factícias criadas”. (3) O choque cultural entre “civilizados e silvícolas” é fruto de imaturidade moral dos citadinos. Porém, considerando a pluralidade das existências, consoante os Códigos divinos, os exploradores “civilizados” jazem subordinados ao imperativo da Lei de Causa e Efeito, e seguramente reencarnarão entre grupos de “indígenas ou aborígenes”, a fim de repararem os danos causados aos irmãos em evolução.
    Não desconsideramos, nessas arguições, a rejeição que sofrem os demais infelizes “civilizados” completamente excluídos do convívio social, porquanto a ambição e o egoísmo atingem níveis insuportáveis. Vivemos numa civilização repleta de muita inquietude e de grande volubilidade emocional. Somos os seres racionais que amargam os paradoxos de surpreendentes conquistas científicas, ao mesmo tempo em que ainda coexistimos com a dengue, febre amarela, tuberculose, aids e com todas as espécies de droga (cocaína, heroína, skanc, ecstasy, crack, oxi etc).

    Nesse contraditório panorama ainda sinistro da sociedade pós-moderna, o Evangelho do Cristo precisa ser a transubstanciação do mais poderoso recurso para o indulto das mentes humanas, escravas do persistente “apartheid” social.

    Referências bibliográficas:
    [1] Xavier, Francisco Cândido.  Nascer e Renascer, ditado pelo Espírito  Emmanuel, SP: Ed. GEEM, 1970
    [1] Kardec , Allan. O Livro dos Espíritos, RJ: Ed FEB, 1077, Perg. 793
    [1] Idem perg. 926.

    sexta-feira, 1 de novembro de 2013

    DOAÇÃO DE ÓRGÃOS PARA TRANSPLANTES É LEGÍTIMO E DEVE SER LEVADO ADIANTE (Chico Xavier)


    Jorge Hessen
    http://aluznamente.com.br

    Um milionário do estado de São Paulo montou recentemente um cenário curioso e instigante. (1) Ele anunciou nas redes sociais que enterraria seu carro Bentley (de quase  1 milhão de reais) , no quintal da sua mansão. Para isso, convidou a imprensa e cavou a cova com uma escavadeira, deixando um espaço reservado para o “velório”. Todavia, durante a celebração revelou para os presentes o real propósito do “enterro” do carrão. Disse que as pessoas estão sepultando algo bem mais valioso que seu Bentley. Assinalou que enterrar um coração, um rim, um fígado e outros órgãos, isso sim é loucura. Órgãos humanos podem salvar a vida de várias pessoas. Proferiu que seu Bentley não é mais valioso que órgãos humanos.  Portanto, não era louco para enterrar o carro, apenas promoveu o “funeral” , a fim de chamar atenção para a causa “doação de órgãos”, afirmando-se doador. 
    Sobre o assunto doação de órgãos para transplante há poucas informações concernentes sobrevindas dos Espíritos, até porque é uma prática muito recente da ciência médica. Nos exercícios médicos de todas as especialidades, o transplante de órgãos é a que demonstra, com maior clareza, a estreita relação entre a morte e a nova vida. Sabemos haver espíritas que são avessos à doação de seus próprios órgãos após a desencarnação. Entretanto, a doação de órgãos para transplantes é doutrinariamente correta. “Se a misericórdia divina nos confere uma organização física sadia, é justo e válido, depois de nos havermos utilizado desse patrimônio, oferecê-lo, graças as conquistas valiosas da ciência e da tecnologia, aos que vieram em carência a fim de continuarem a jornada.”(2) 
    É importante fazermos a seguinte reflexão: se, hoje, somos doadores, amanhã, poderemos ser (ou nossos familiares e amigos) receptores de órgãos. “Para a maioria das pessoas, a questão da doação é tão remota e distante quanto à morte. Mas, para quem está na “fila” esperando um órgão para transplante, ele significa a única possibilidade de vida! “Verdadeira bênção, o transplante de órgãos concede oportunidade de prosseguimento da existência física, na condição de moratória, através da qual o Espírito continua o périplo orgânico. Afinal, a vida no corpo é meio para a plenitude – que é a vida em si mesma, estuante e real.” (3)
    Em de entrevista, à TV Tupi, em agosto de 1964, publicada na Revista Espírita Allan Kardec, ano X, n°38, Francisco Cândido Xavier comenta o seguinte: “transplante de órgãos, na opinião dos Espíritos sábios, é um problema da ciência muito legítimo, muito natural e deve ser levado adiante.” Os Espíritos, segundo Chico Xavier, “não acreditam que o transplante de órgãos seja contrário às leis naturais. Pois é muito natural que, ao nos desvencilharmos do corpo físico, venhamos a doar os órgãos prestantes a companheiros necessitados deles, que possam utilizá-los com proveito”. “(4)
    Questão que também invariavelmente é levantada é a rejeição do organismo após a cirurgia. O Espírito André Luiz considera “a rejeição como um problema claramente compreensível, pois o órgão do corpo espiritual está presente no receptor. O órgão perispiritual provoca os elementos da defensiva do corpo, que os recursos imunológicos em futuro próximo, naturalmente, vão suster ou coibir.”(5) Especialistas, a partir 1967, “desenvolveram várias drogas imunossupressoras (ciclosporina, azatiaprina e corticóides), para reduzir a possibilidade de rejeição, passando então os receptores de órgãos a terem uma maior sobrevida.”(6) Estatisticamente, o que há é que “a taxa de prolongamento de vida dos transplantes é extremamente elevada. Isso graças não só às técnicas médicas, sempre se aperfeiçoando, mas também pelos esquemas imunossupressores que se desenvolveram e se ampliaram consideravelmente, existindo atualmente esquemas que levam a zero por cento (0%) a rejeição celular aguda na fase inicial do transplante, que é quando ocorrem.”(7)
    André Luiz explica que “quando a célula é retirada da sua estrutura formadora, no corpo humano, indo laboratorialmente para outro ambiente energético, ela perde o comando mental que a orientava e passa, dessa forma, a individualizar-se; ao ser implantada em outro organismo [por transplante, por exemplo], tenderá a adaptar-se ao novo comando [espiritual] que a revitalizará e a seguir coordenará sua trajetória.”(8)
    Outra coisa importante é que não há reflexos traumatizantes ou cerceadores no perispírito, em correspondência à mutilação do corpo carnal, ou seja, o doador de córneas, por exemplo, não regressará “cego” ao Mundo Espiritual. Se fosse regra geral haver impacto do corpo físico doador no corpo espiritual, o que seria daqueles que têm o corpo carbonizado pelo fogo ou pulverizado numa explosão? O que dizer da cremação, que reduz o cadáver a cinzas? A doação de órgãos para transplantes não afetará o corpo espiritual do doador, a menos que acreditemos ser injusta a Lei de Deus e estarmos no Planeta à deriva da Sua Suprema Vontade. Lembremos que nos Estatutos do Criador não há espaço para a injustiça e o transplante de órgãos (conquista da ciência) é valiosa oportunidade, dentre tantas outras, colocada à disposição do homem para o exercício do amor.

    Referências bibliográficas:

    (1) Disponível em  http://ego.globo.com/famosos/noticia/2013/09/enterro-do-carro-de-chiquinho-scarpa-e-acao-favor-de-campanha.html acesso em 30/10/2013
    (2) Franco, Divaldo Pereira. Seara de Luz, Salvador: Editora LEAL [o livro apresenta uma série de entrevistas ocorridas com Divaldo entre 1971 e 1990.]-
    (3) Franco, Divaldo Pereira. Dias Gloriosos, ditado pelo Espírito Joanna de Angelis. Salvador/BA: Ed. LEAL, 1999, Cf. Cap. Transplantes de Órgãos
    (4) Entrevista de Francisco Cândido Xavier, à TV Tupi, em agosto de 1964, publicada na Revista Espírita Allan Kardec, ano X, n°38,
    (5) Cf. Revista Espírita Allan Kardec, ano X, n°38
    (6) Folha de S.Paulo, A3, “Opinião”, 15.Maio.2001
    (7) Entrevista com o Prof. Dr. Flávio Jota de Paula Médico da Unidade de Transplante Renal do HC/FMUSP. 1º Secretário da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO). Diretor da I Mini Maratona de Transplantados de Órgãos do Brasil. Publicado em Prática Hospitalar ano IV n º 24 nov-dez/2002
    (8) Xavier, Francisco Cândido. Evolução em dois Mundos – Ditado pelo Espírito André Luiz. 5ª Ed. Rio de Janeiro, RJ: Ed FEB, 1972, cap. “Células e Corpo Espiritual”

    segunda-feira, 28 de outubro de 2013

    NOVAS GERAÇÕES – VELHAS GERAÇÕES QUE SE RENOVAM


    Jorge Hessen
    http://aluznamente.com.br

    Especula-se muito nas hostes espíritas a respeito da nova geração que está encarnando. Mas a rigor, a cada período civilizatório é comum surgirem novas gerações no planeta. Não podemos permanecer estáticos diante de um otimismo ingênuo, mormente analisando a sociedade sob o ponto de vista da realidade atual, ante os graves problemas sociais, envolvendo delinquências, guerras, corrupções, violência urbana, terrorismo, a comprovar que a iniquidade ainda prevalece.
    Infelizmente há muitos jovens envolvidos com o mal, por ausência de noção das Leis de Deus. Obviamente tais criaturas serão renovadas no desenvolvimento de suas provas, particularmente com a dor instrutora, em reencarnações edificantes. Recentemente alguns jovens indianos entre 10 e 14 anos, que se autodenominaram como “daredevils” (destemidos), ao identificarem que residiam em local “invisível” ao registro do “Google Maps” (1) resolveram desenhar os contornos geográficos da favela em Calcutá. Durante o levantamento perceberam que era preciso ir mais além. Tinham de detectar o que devia e o que não devia estar no mapa. Malária, não devia. Diarreia, não devia. Dança, sim. Descobriram que se apropriar do mapa do seu mundo tornaria possível transformá-lo.
    Para aperfeiçoar o mapeamento, contaram com a ajuda do projeto Mapeie Seu Mundo, da Universidade de Columbia, dos EUA, que forneceu os equipamentos necessários e deu as diretrizes de como coletar dados das pessoas, numerar e registrar as casas. (2) Aparelhados de celulares e GPS, os jovens registravam quantas crianças haviam em cada casa, quantas já tinham sido vacinadas e informavam a hora e lugar da próxima campanha, conscientizavam sobre a importância da imunização. Ao fazer o levantamento, as crianças descobriram que nem todos os 9 mil moradores tiveram acesso à vacina contra poliomielite. (3) A solução que encontraram para o problema foi incrementar campanhas de vacinação e divulgação nas ruas, utilizando-se de surrados cones de papelão, indicando onde estavam localizados os postos de saúde mais próximos.
    Graças ao empenho dos “daredevils” de Calcutá o governo local começou a construir a primeira forma de abastecimento com água potável para a comunidade e o número de vacinação cresceu 80%. Destarte, passaram a influenciar o mundo para além da favela. Por causa da atitude deles, foi produzido o filme “The revolutionary optimists”, um documentário que inspirou o lançamento do Map your world (Mapeie seu mundo), plataforma múltipla que assenta o poder das novas tecnologias nas mãos de crianças e jovens para que elas se tornem agentes de mudanças sociais e compartilhem suas biografias com o mundo.
    Pode haver aqui indicativos de que estamos diante de uma nova geração de espíritos moralizados que reencarnaram, a fim de trabalharem pela justiça social e fraternidade entre as pessoas. Quem sabe podem ser Espíritos que compõem a nova geração, Espíritos melhores d’outros orbes, ou simplesmente Espíritos terrícolas antigos que se melhoraram, contudo o resultado é positivo. “Desde que trazem disposições melhores, há sempre uma renovação. Assim, segundo suas disposições naturais, os Espíritos encarnados formam categorias: de um lado, os retardatários, que partem [desencarnam]; de outro, os progressistas, que chegam [reencarnam]. O estado dos costumes e da sociedade estará, portanto, no seio de um povo, de uma raça, ou do mundo inteiro, em relação com aquela das duas categorias [retardatários/progressistas] que preponderar." (4) É nessa matemática que se processam historicamente os arranjos de paz ou guerras em cada geração.
    Para o Codificador da Doutrina Espírita a renovação moral da humanidade não se processará por uma "invasão" de seres de outros orbes, de outras constelações (embora seja admissível tal processo), mas porque os "Espíritos antigos que se melhoraram" têm seu papel no novo estágio evolutivo. Ou, repetindo Kardec, "A regeneração da Humanidade não exige absolutamente a renovação integral dos Espíritos: basta uma modificação em suas disposições morais. Essa modificação se opera em todos quantos lhe estão predispostos, desde que sejam subtraídos à influência perniciosa do mundo.” (5)
    Observemos que as gerações ancestrais que presentemente dominam o saber na terra, tempos recuados foram “gerações novas” e igualmente geraram assombro e especulações. Em todas as eras deparamos com arquétipos humanos intrigantes e que tiveram um papel muito respeitável na mudança social do orbe. “Arquétipos”, nesse caso, são padrões históricos, cujas experiências são reconhecidas e culturalmente registradas pelos historiadores. Tais seres dominavam ciências revolucionárias, novas técnicas, concepções artísticas perturbadoras e apresentavam um molde moral dessemelhante do corriqueiro, conquanto não fossem notados por seus iguais com seres “sobre-humanos”.
    Estamos passando por grande revolução na apropriação do conhecimento humano. Há aqueles que possuem uma inteligência e sensibilidade social acima da média, inobstante não se distinguem radicalmente das gerações antecedentes de grandes gênios da academia, da religião e das artes. O modelo moral deles igualmente não difere dos seus predecessores. As ciências sociológicas revelam que as amplas transformações tecnológicas e sociais advieram pelas ações correspondentes de socialização, isto é, os padrões nascem com seus atributos intelectuais mais avançados e, em certas conjunturas, passam a contagiar culturalmente de forma mais expressiva sobre a geração daquele contexto, alterando os protótipos até então predominantes.
    Não há como desconsiderarmos que não estamos vivendo um momento vulgar da Humanidade. Observamos uma grande mudança e as transformações ligeiras e impactantes estão aí para confirmar em todos os níveis da vida social. Isso confirma ainda mais as revelações espirituais sobre o destino da Terra, nada obstante não olvidemos que os acontecimentos terrenos não modificam ao gosto da nossa fantasia mística e sim no compasso adequado dos eventos da natureza consoante as DIRETRIZES DO CRISTO.

    Referências bibliográficas:
    (1)           Google Maps é um serviço de pesquisa e visualização de mapas e imagens de satélite da Terra gratuito na web fornecido e desenvolvido pela empresa estadunidense Google. Atualmente, o serviço disponibiliza mapas e rotas para qualquer ponto nos Estados Unidos, Canadá, na União Europeia, Austrália e Brasil, entre outros. Disponibiliza também imagens de satélite do mundo todo, com possibilidade de um zoom nas grandes cidades, como Nova Iorque, Paris, São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, entre outras.
    (2)           http://planetasustentavel.abril.com.br/blog/blog-da-redacao/criancas-mapeiam-favela-onde-moram-e-combatem-poliomielite/?utm_source=redesabril_psustentavel&utm_medium=facebook&utm_campaign=redesabril_psustentavel
    (3)           Em 2005, a Índia registrou 45 casos de paralisia infantil, número que a colocou como quarto país do mundo com mais pessoas afetadas
    (4)           Kardec, Allan. A Gênese. 24a. Ed. FEB, cap. XVIII