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  • quarta-feira, 11 de dezembro de 2019

    Netflix e o grupelho Porta dos fundos achincalham o Cristo e os cristãos (Jorge Hessen)

    Netflix e o grupelho Porta dos fundos achincalham o Cristo e os cristãos (Jorge Hessen)





    Jorge Hessen             
    Brasília-DF

    Paulo de Tarso escreveu aos Gálatas: "Que ninguém se iluda porque de Deus [e Suas Leis] não se zomba, aquilo que o homem semear ele vai colher." [1] Esse alerta é para o grupelho Porta dos Fundos e a Netflix porque decidiram zombar de Jesus e da religiosidade da grande maioria dos brasileiros.
    É o que está ocorrendo atualmente, como o lançamento do filmeco “A Primeira Tentação de Cristo”, previsto para a data máxima da cristandade (Natal). Na verdade, trata-se de repugnante “comédia”, para claramente zombar da venerável figura do Cristo.
    Alguns “atores-espantalhos”, jugulados por irracionais ideologias avermelhadas, fidedignos “comédias ambulantes” e desajustados consigo mesmos apostam chacotear os consagrados valores éticos, morais e religiosos dos cristãos. Notabilizado por peças de “humor pervertido” que tendem importunar a fé cristã, o tal grupelho Porta dos Fundos nunca disfarçou a aversão contra a estrutura religiosa cristã.
    Para o próximo Natal, o repugnante grupelho montou o ignóbil “filmeco”, que já está disponível no Netflix. Na sinopse desse lixo dito cinematográfico, “José” e “Maria” prepararam uma festa surpresa para “Jesus”, porém “Jesus” aparece na festa acompanhado de seu “namorado”. Na festança, um dos convidados revela ser o próprio “Deus”, e informa a missão de Jesus, o que parece contrariar os planos de Jesus que deseja gozar a vida.
    lixo cinematográfico expõe “Jesus” corrompido pelo sexo, mostrando um relacionamento homossexual d’Ele e Satanás, além de um triângulo amoroso entre “Deus”, “Maria” e “José”. Inclusive, em alguns trechos do “filmeco”, Jesus aparece tomando chá alucinógeno e se questionando sobre sua própria missão na terra.
    Será que a Carta Magna do Brasil afiança esses irresponsáveis autores o direito de se manifestarem com tais insultos? O direito constitucional à liberdade de expressão não justifica agressões morais. A Constituição não é salvo conduto para abusos e atos blasfemos, moralmente condenáveis e absolutamente desrespeitosos.
    A atitude do abominável grupelho Porta dos Fundos golpeia a liberdade religiosa e desfigura fortemente o legítimo conceito de arte. Desde que uma suposta obra dita de arte ofende seriamente a crença de uma admirável e pacata população, há um excesso sujeito à punição, porque injuria a honra da tradição cristã.
    É um lixo cinematográfico que promove intolerância religiosa camuflado de liberdade de expressão. Além do quê, a memória e imagem de Jesus devem ser respeitadas e veneradas no alcance máximo da liberdade humana.
    Portanto, é uma agressão brutal e completamente desnecessária como tantos outros desrespeitos já praticados sob a “proteção” da vilipendiada liberdade de expressão, que culmina atingindo o sentimento de todos aqueles que têm Jesus como exemplo de moral, caráter, bondade, amor, humildade.
    Que talento desprezível desse “grupelho”! Tratam, o mais supremo dos seres da criação como um "João ninguém".
    Estejam cientes, “panelinha do Porta dos fundos”, que os espíritas cristãos assentamos a Mensagem de Jesus na linguagem do amor, com as devidas explicações racionais, filosóficas e científicas. Todavia, sem abdicarmos e sem deixarmos de lado o aspecto emocional que é colocado na sua expressão mais alta, tal como o pretendeu Jesus.
    Apesar desse desrespeitoso “grupelho”, inobstante não ser a experiência humana uma estação de prazer, ainda assim continuaremos trabalhando no ministério de Jesus, recordando que, por servir ao próximo, com modéstia, sem agressões e arrogâncias, Ele foi tido por insensato e gay (pelo grupelho), infrator da lei e opositor da população, sendo indicado por essa mesma turba para receber com a cruz a gloriosa coroa de espinhos, entretanto sob a força do Amor Jesus venceu o mundo!
    Uma conveniente atitude cristã seria o boicote à Netflix, que tal?

    Referência bibliográfica:

    [1]       Gálatas 6:7

    segunda-feira, 9 de dezembro de 2019

    Lei de Causa e Efeito , reencarnação e os gêmeos siameses (Jorge Hessen)

    Lei de Causa e Efeito , reencarnação e os gêmeos siameses (Jorge Hessen)



    Jorge Hessen
    Brasília-DF
    Um caso raro de gêmeos siameses causou espanto na Índia. Babita Ahirwar e seu marido, Jaswant Singh Ahirwar, já sabiam que esperavam xifópagos [1], mas o nascimento da criança fez com que os pais entrassem em choque. As duas crianças compartilhavam os mesmos órgãos internos, incluindo um só coração, porém com duas cabeças separadas. Os bebês nasceram no dia 23 de novembro de 2019. O caso é descrito como sendo dicephalus parapagus [2], tipo que engloba cerca de 11% dos casos de gêmeos siameses, de acordo com uma revisão histórica feita pelo Journal of Pediatric Surgery. [3] 

    Pela tradição, o termo siameses surgiu no século XIX, precisamente em 1811, com o primeiro caso acadêmico registrado no mundo, ocorrido com os irmãos tailandeses Chang e Eng Bunker – decorrendo daí o termo "gêmeos siameses" [4]. Os dois irmãos foram conduzidos para a Inglaterra e posteriormente para os Estados Unidos. 

    Por uma questão de programação espiritual, e nem poderia ser diferente, Chang e Eng Bunker desencarnaram em 17 de janeiro de 1874 , com poucas horas de diferença, aos 63 anos, estabelecendo um recorde de sobrevida entre os gêmeos siameses. O que nos chama atenção é o fato de que “os dois tiveram 22 filhos, que através deles geraram mais de 1.500 descendentes, a maioria deles não-gêmeos e em condições ideais de saúde.” [5] 

    Pelas leis reencarnatórias, num só corpo não há como reencarnar mais que um Espírito. Todavia, no caso dos seres xifópagos, existem dois espíritos em corpos grudados biologicamente, possuindo dois cérebros (dicéfalos), portanto são dois indivíduos e duas mentes. 

    Se na xifopagia os Espíritos forem amigos se aproximarão por afinidade de sentimentos e sentirão menos desconforto por estarem acoplados fisicamente. Todavia, nos casos dos Espíritos que afetivamente não se aturam e se repelem serão intensamente infelizes como inquilinos de corpos grudados. 

    Nestas circunstâncias reencarnatórias, quais razões induziriam as Leis de Deus consentirem tamanhas anormalidades corporais? 

    Por quais razões esses espíritos necessitam permanecerem algemados corporalmente, compartilhando vísceras e funções orgânicas, compreendendo que nada nos é mais intrínseco (íntimo) e individual que a organização física? 

    Na maior parte dos casos os xifópagos são dois espíritos comprometidos por imensos ódios, erigidos ao longo de múltiplas reencarnações, e que reencarnam nestas condições, por recomendações dos Benfeitores sem que se constitua um processo de punição divina, até porque as Leis de Deus não são punitivas elas apenas nos convidam (amorosa ou dolorosamente) para a reparação dos erros, sob às luzes misericordiosas da Lei de Causa e Efeito que funciona a fim de que nós nos resguardemos de nós mesmos. 

    Alternando-se as posições como algozes e vítimas e, igualmente, nas dimensões físicas e espirituais, compelidos por irresistível atração de ódio e desejo de vingança, tais Espíritos pela divina Lei de Atração buscam-se continuamente e culminam se reaproximando em condições comovedoras, os convidando a dividir amargamente do mesmo sangue vital e do ar que respiram. 

    Tal reencarnação dolorosa permitirá que ambos os espíritos, durante a experiência desafio no corpo carnal, ajustem os laços de união e sustentação moral, catalisando anseios de amizade, fraternidade e plausível começo de reconciliação pelo autoperdão e recíproco perdão. 

    Mesmo entre espíritos afins ou simpáticos, a experiência xifópaga deverá ser uma vivência muito desafiadora, inobstante ambos aceitarem, ou serem convidados a cumprirem a lei de amor, embora conectados biologicamente, tendo como meta diluir traumas morais do passado para robustecer a necessária reaproximação hoje delineando um amanhã mais harmonioso. 

    Muitas vezes não é possível, de imediato, dissolverem-se essas vinculações anômalas , a fim de que haja total recuperação psíquica dos infelizes protagonistas. No decorrer dos anos, a imantação se avoluma, tangendo dimensões categóricas de alteração do corpo perispiritual de ambos. A analgesia transitória, pela comoção de consciência causada pela reencarnação expiatória, poderá impactar e recompor os sutis tecidos em desarranjo da mente doente. 

    Nessas reflexões doutrinárias não há como desconsiderar que os pais são invariavelmente coparticipantes do processo, até porque são os vínculos solidários do passado que os convidam a experienciar o drama da vida atual com os filhos. Não podemos afirmar que são vítimas ingênuas de uma lei natural injusta e arbitrária. O reencontro comum pelas afinidades que atraem pais e filhos por simbiose magnética apenas retrata os lídimos mecanismos da Lei de Causa e Efeito à qual todos estamos submetidos. 

    A proposta espírita da questão aponta para algumas soluções que podem contribuir com a psicologia e a medicina de hoje e de amanhã, considerando a terapêutica. A prática da prece e da doação de energias magnéticas através do passe, por exemplo, são recursos adequados e indispensáveis para despertar consciências e minimizar os traumas psicológicos. Soluções essas que para eles (xifópagos) se descortinam eficazes, eliminando-lhes a mente para a necessidade da efetiva reconciliação, enfrentando a união pelo laço indestrutível e saudável do amor. 

    Notas e referências:
    [1]           A nomenclatura provém de xifóide que é o apêndice terminal do osso esterno (com s ), situado na frente do tórax onde se unem as costelas, isto porque muitos dos xifópagos estudados eram unidos por esta parte do corpo.
    [2]           Gêmeos dicephalus parapagus são unidos lado a lado pela pelve e/ou em todo o abdômen e no peito, mas têm cabeças separadas. Os gêmeos podem ter dois, três (tribrachius) ou quatro (tetrabrachius) braços e duas ou três pernas.
    [3]           Disponível em https://www.metropoles.com/saude/bebe-indiano-nasce-com-duas-cabecas-e-tres-bracos   acesso em 06/12/2019
    [4]           Termo advindo do antigo reino de Sião (Tailândia).
    [5]           Disponível em https://pt.wikipedia.org/wiki/Chang_e_Eng_Bunker#cite_ref-mt-airy-news_3-0  acesso 04/12/2019

    sexta-feira, 6 de dezembro de 2019

    Doação de órgãos. Quem nos garante que não seremos o próximo da fila? (Jorge Hessen)

    Doação de órgãos.  Quem nos garante que não seremos o próximo da fila? (Jorge Hessen)


    Jorge Hessen
    Brasília-DF

    O ex-apresentador de TV Gugu Liberato permanecerá presente na recordação da família,  dos milhões de fãs e dos doentes receptores dos seus órgãos. A família do apresentador fez questão de realizar um desejo que Gugu sempre manifestou: a doação dos órgãos. Pois que quando em vida Gugu dizia que “Deus em sua infinita bondade nos dá a oportunidade da vida. Agora eu sigo adiante por um caminho que me levará mais próximo ao Pai. E neste momento quero praticar os ensinamentos do mestre Jesus. Assim como ele compartilhou o pão com os seus, eu compartilho meu corpo com aqueles que necessitam de uma nova oportunidade de viver. Aos meus familiares eu agradeço por terem realizado a minha vontade. Tenham certeza que, a partir de agora, eu estarei batendo em muitos outros corações e compartilhando minha vida com outros irmãos. Que eu seja um instrumento de amor, oportunidade e de luz.” [1]
    Observamos que a doação dos próprios órgãos era um desejo do apresentador e os órgãos que lhes foram retirados poderão beneficiar cerca de 50 pessoas. Mas, a grande algazarra do assunto (doação de órgãos) é a morte encefálica, na vigência da qual órgãos ou partes do corpo humano são removidos para utilização imediata em doentes deles necessitados. Estar em morte encefálica é estar em uma condição de parada definitiva e irreversível do encéfalo, incompatível com a vida e da qual ninguém jamais se recupera.
    Havendo morte cerebral, verificada por exames convencionais e também apoiada em recursos de moderna tecnologia, apenas aparelhos podem manter a vida vegetativa, por vezes por tempo indeterminado. É nesse estado que se verifica a possibilidade do doador de órgãos "morrer" e só então seus órgãos podem ser aproveitados - já que órgãos sem irrigação sanguínea não servem para transplantes.
    Seria a eutanásia? Evidentemente que não! A eutanásia de modo algum se encaixaria nesses casos de morte encefálica comprovada.  A medicina, no mundo todo, tem como certeza que a morte encefálica, que inclui a morte do tronco cerebral (2) só terá constatação através de dois exames neurológicos, com intervalo de seis horas, e um complementar. Assim, quando for constatada cessação irreversível da função neural, esse paciente estará morto, para a unanimidade da literatura médica.
    A temática "doação de órgãos " é bastante contemporâneo no cenário terreno. Sobre o assunto, talvez, porque as informações sejam distorcidas, há o receio do desconhecido que paira no imaginário de muitos homens. Inclusive alguns espíritas se recusam a autorizar, em vida, a doação de seus próprios órgãos após o desencarne.
    A doação de órgãos para transplantes é doutrinariamente válida. “Se a misericórdia divina nos confere uma organização física sadia, é justo e válido, depois de nos havermos utilizado desse patrimônio, oferecê-lo, graças às conquistas valiosas da ciência e da tecnologia, aos que vieram em carência a fim de continuarem a jornada.”. (3)
    Chico Xavier afiançava que  “transplante de órgãos, na opinião dos Espíritos sábios, é um problema da ciência muito legítimo, muito natural e deve ser levado adiante.”. Os Espíritos, segundo Chico Xavier, “não acreditam que o transplante de órgãos seja contrário às leis naturais. Pois é muito natural que, ao nos desvencilharmos do corpo físico, venhamos a doar os órgãos prestantes a companheiros necessitados deles, que possam utilizá-los com proveito”. (4)
    Não há reflexos traumatizantes ou cerceadores no perispírito, em relação à mutilação do corpo carnal, ou seja, o doador de córneas, por exemplo, não regressará “cego” ao Mundo Espiritual. Se fosse regra geral haver impacto do corpo físico doador no corpo espiritual, o que seria daqueles que são esmagados nos desastres de trânsito , os têm o corpo carbonizado pelo fogo ou pulverizado numa explosão? O que dizer da cremação, que reduz o cadáver a cinzas?
    A doação de órgãos não afetará o corpo espiritual do doador, a menos que acreditemos ser injusta a Lei de Deus e estejamos no Planeta à deriva da Sua Suprema Bondade e Providência. Lembremos que nos Estatutos do Criador não há espaço para a injustiça e o transplante de órgãos é valiosa oportunidade, dentre tantas outras, colocada à disposição do homem para o exercício do amor.
    Além do mais, se, hoje, somos doadores, amanhã, poderemos ser (ou nossos familiares e amigos) receptores de órgãos. Para a maioria das pessoas, a questão da doação é tão remota e distante quanto à morte. Mas, para quem está numa gigantesca fila esperando um órgão para transplante, ela significa a única possibilidade de vida. Quem nos garante que não seremos o próximo da fila?
    Pensemos nisso!
    Referência bibliográfica:
    [2]           O tronco cerebral, e não o coração, é reconhecido como o organizador e "comandante" de todos os processos vitais. Nele está alojada a capacidade neural para a respiração e batimentos cardíacos espontâneos; sem tronco ninguém respira por si só.
    [3]           Franco, Divaldo Pereira. Seara de Luz, Salvador: Editora LEAL [o livro apresenta uma série de entrevistas ocorridas com Divaldo entre 1971 e 1990.]-
    [4]           Entrevista de Francisco Cândido Xavier, à TV Tupi, em agosto de 1964, publicada na Revista Espírita Allan Kardec, ano X, n°38

    quinta-feira, 21 de novembro de 2019

    Fritz ante a preguiça moral, a balela e a promessa de artificiosa cura (Jorge Hessen)

    Fritz ante a preguiça moral, a balela e a promessa de artificiosa cura (Jorge Hessen)


    Jorge Hessen
    Brasília-DF

    A atriz Juliana Paes da Globo vai aparecer nos cinemas em 2020, junto com o ator Danton Mello e outros, no longa-metragem intitulado “Predestinado - Arigó e o Espírito do Dr. Fritz”. O filme propõe contar a história do médium mineiro, José Pedro de Freitas, o “Zé Arigó”. Com certeza tal evento fará ressurgir, nas hostes espíritas, o deslumbramento pela procura de médiuns incorporadores de “cirurgiões” cura tudo ou miraculosos “médicos” do além.
    Que existe interferência dos desencarnados nos processos terapêuticos na Terra não há dúvida, porém não se pode dar proeminência a esse tipo de fenômeno, na presunção de consolar os desprotegidos ou na ardilosa ideia de fortalecimento da difusão do Espiritismo por essas dispensáveis práticas.
    Vejamos: Zé Arigó, o médium que incorporava o Dr. Fritz e realizava cirurgias sem anestesia, certa ocasião ofereceu-se para operar o Chico Xavier, que prontamente rejeitou a oferta e optou por se internar em hospital de São Paulo. A atitude do Chico provocou uma boa discussão na época.
    Por que não aceitou a oferta do Dr. Fritz? Chico duvidava do poder dos famosos “cirurgiões” espirituais?
    O filho de Pedro Leopoldo se limitou a repetir a resposta oferecida em 1969 a Zé Arigó: “Como eu ficaria diante de tanto sofredor que me procura e que vai a caminho do bisturi, como o boi para o matadouro? E eu vou querer facilidades? Eu tenho que me operem como os outros, sofrendo como eles.” [1]
    Anos mais tarde, sob firme depoimento, Chico Xavier pronunciou: “Sou contra essa história de meter o canivete no corpo dos outros sem ser médico. O médico estudou bastante anatomia, patologia e, por isso, está habilitado a fazer uma cirurgia. Por que eu, sendo médium, vou agora pegar uma faca e abrir o corpo de um cristão sem ser considerado um criminoso? [2]
    A tendência de subestimar a contribuição da medicina terrena, entregando nossas enfermidades aos Espíritos “milagreiros” do além (com nome germânico ou hindu), para que "curem" complexos processos de metástases, por exemplo, é uma atitude equivocada. Até mesmo porque, os Espíritos não estão à nossa disposição para promover curas de patologias que não raro representam providências corretivas para o nosso crescimento espiritual no buril expiatório.
    Além do mais, os princípios doutrinários nos elucidam que necessitamos "Aproveitar a moléstia como período de lições, sobretudo como tempo de aplicação de valores alusivos à convicção religiosa. A enfermidade pode ser considerada por termômetro da fé”. [3]
    Como bem recomenda Allan Kardec, em Viagem Espírita, 1862, pág. 33: "O exagero em tudo é prejudicial, mas, em semelhante caso, vale mais pecar por excesso de prudência do que por excesso de confiança". [4]
    Sobre esse tipo de mediunidade fica evidente que não há qualquer amparo espiritual aos médiuns dos cirurgiões do além. Vejamos alguns fatos emblemáticos sobre os intermediários do tal Dr. Fritz e outros do ramo. José Arigó, o mais famoso, desencarnou tragicamente num acidente de automóvel, em MG; Rubens de Farias, depois que sua esposa o denunciou de adultério e enriquecimento ilícito, saiu terminantemente de cena; Edson Queiroz foi brutalmente morto a facadas por seu caseiro, em Recife; João de Deus jaz prisioneiro na penitenciária de Aparecida de Goiás, incriminado por centenas de estupros e enriquecimento  ilícito. Isso sem colocar aqui no inventário sobre esse tipo de mediunidade “curadora” o mais importante médium do Lar Frei Luiz no Rio, Gilberto Arruda, que foi assassinado dentro do centro.
    O exercício dos Códigos Evangélicos nos impõe a obrigatória fraternidade e a compreensão aos adoentados e adeptos dessas extravagantes práticas mediúnicas, o que não equivale dizer que devemos nos silenciar quanto à adequada recriminação. Tal mediunidade não é e nunca será indispensável para propagação dos princípios espíritas. Além do mais, o centro espírita não pode se transformar em abrigo dos ambulantes cura tudo.
    Bem-estar e saúde integral são obtidos através do cumprimento das Leis Divinas inscritas na consciência de todos nós! O resto é preguiça moral, balela e promessa de artificiosa cura que se transformará em desafiadora moléstia moral amanhã.

    Referência bibliográfica:
    [1]        SOUTO Maior, Marcel. As vidas de Chico Xavier / MARCEL Souto Maior. 2. cd. rev. e ampl. São Paulo: Editora Planeta do Brasil, 2003
    [2]        Idem
    [3]        VIEIRA, Waldo. Conduta Espírita, Ditado pelo Espírito André Luiz, Cap.35. RJ: Editora FEB, 1977-5ª edição
    [4]        KARDEC, Allan. Viagem Espírita 1862, pág. 33, RJ:  Ed FEB, 1999

    terça-feira, 29 de outubro de 2019

    É tristeza ou depressão? Eis a questão!

    É tristeza ou depressão? Eis a questão!  (Jorge Hessen)

    Jorge Hessen
    Brasília-DF

    Antes de abordarmos o tema, cabe distinguir a simples tristeza da depressão. A tristeza é um sentimento corriqueiro que surge ocasionalmente em nossos corações. Mormente quando advém um acontecimento que sacode a nossa vida, porém é provisória.
    Estranhamente, hoje em dia qualquer tristeza é tratada como doença psiquiátrica. Os pacientes preferem recorrer aos remédios a encarar os desafios da vida. Muitos médicos se rendem aos laboratórios farmacêuticos e indicam antidepressivos sem necessidade, exceto os psiquiatras, que são os que menos receitam antidepressivos, porque estão mais preparados para reconhecer as diferenças entre a “tristeza normal" e a patológica (depressão).
    O que diferencia a "tristeza normal" da patológica é a intensidade. A tristeza patológica é muito mais intensa. A normal é um estado de espírito. Além disso, a patológica é longa. É o aperto no peito, a dificuldade de se movimentar; a pessoa só quer ficar deitada, tem dificuldade de cuidar de si própria, da higiene corporal. Na "tristeza normal" pode acontecer isso por um ou dois dias, mas depois passa. Na patológica, fica nas entranhas do ser.
    Quem mais receita antidepressivos não são os psiquiatras, são os demais médicos. Os psiquiatras têm uma formação para perceber que primeiro é preciso ajudar a pessoa a entender o que está se passando com ela e depois, se for uma depressão, medicar. Agora, os não psiquiatras não querem ouvir. O paciente diz: “Estou triste.” O médico responde: “Pois não”, e receita o ansiolítico. Eis o problema!
    A depressão deriva de duradoura ansiedade íntima. É uma indiferença de sentir o gozo pela vida, resultando em certo desgosto por viver. Essa amargura ou vazio d’alma podem estar escoltados por ideias de morte que se manifestam de múltiplas formas: o deprimido pode almejar morrer e até atentar contra a própria vida, ou meramente pode não ansiar mais viver, porém não pensa em tirar a própria vida e até receia a morte.
    O processo depressivo pode variar de magnitude e é qualificado pela psiquiatria como depressão leve, quando os sintomas não intervêm em demasia no cotidiano, como depressão moderada quando já há um comprometimento maior na sustentação das atividades habituais e como depressão grave – neste estágio a pessoa torna-se bastante limitada na labuta cotidiana.
    É muito importante buscar modos de se evitar chegar nesse nível, trabalhando-se com as causas profundas da doença, que por ser uma doença das emoções não tem sinais físicos ou bioquímicos. Frequentemente o doente deprimido ouve frases do tipo “você não tem nada” ou “depressão é frescura”, às vezes pronunciadas até por clínicos, que após escutarem o paciente requerem exames complementares que exibem resultados negativos.
    Por outro lado, há aqueles médicos que se deixam levar pelo lobby da indústria farmacêutica. Não se pode mais ficar enfadado, apoquentado, triste, porque isso é imediatamente transformado em depressão. É a medicalização de uma condição humana. É transformar um sentimento normal, que todos nós temos, dependendo das situações, numa entidade patológica. Há situações em que, se não ficarmos abatidos, pode gerar transtornos emocionais – como quando se “perde” um ente querido. Mas muitos médicos não compreendem racionalmente alguns sentimentos e sintomas humaníssimos.
    Muitos aflitos costumam recorrer aos tranquilizantes e se debatem aflitivamente para que a aflição não os abarque a vida cotidiana. É comum nos extasiarmos ante a beleza das estrelas do firmamento, em rogativas ao Criador, a fim de que a angústia não nos abata e nem nos alcance a caminhada, ou ainda para que os sofrimentos desviem para outros rumos. Contudo, a realidade das provas e expiações ante os estatutos de Deus chegará inexorável como mecanismos naturas de nossa evolução.
    Ante os ventos impetuosos das chibatas emocionais, nos sentimos vencidos e solitários. Mas em realidade, o que parece infelicidade ou derrota pode significar intercessão providencial de Deus, sem necessidade, portanto do uso de tranquilizantes para aliviar a dor. Em muitos momentos da existência, quando choramos lágrimas de angústias, os Benfeitores se rejubilam de “lá”, da mesma forma em que os pomicultores de “cá” descansam, serenos, após o labor do campo bem podado. A vida é assim!
    Essas lágrimas asfixiantes, muitas vezes representam para nós alegrias nas dimensões superiores da vida espiritual. Evidentemente nossos protetores do além não são indiferentes quando estamos em padecimentos atrozes, mas eles sabem exatamente que tal situação sinaliza possibilidades renovadoras no buril do nosso crescimento espiritual.


    segunda-feira, 28 de outubro de 2019

    Espíritas progressistas?... Que coisa mais estranha! (Jorge Hessen)

    Espíritas progressistas?... Que coisa mais estranha! (Jorge Hessen)


    Jorge Hessen
    Brasília-DF

    Doutrinariamente falando, seria o espírita de “esquerda” ou de “direita”? Nem uma, nem outra. Ou melhor, no mínimo, um estudioso de Kardec deve ser de “centro” espírita (é lógico!). Humor à parte, nas hostes do Espiritismo não deveria haver espaços para militâncias ideológicas de “esquerda” ou de “direita”. Lembrando que longe (bem longe mesmo!) das instituições doutrinárias não é vedado ao espírita a participação do movimento político-partidário. Isso é uma questão pessoal.
    Nas hostes espíritas, porém, não se deveria adotar qualquer confraria política. Atrair militância política partidária de “esquerda” ou “direita” para o ambiente espírita seria tão esdrúxulo quanto uma roda quadrada. Em face disso, não se deveria tratar duelos eleitorais (no sentido de desinteligências) nos recintos espíritas. A Doutrina Espírita encontra-se acima de nuances políticas transitórias.
    Assistimos com estupefação promoção de “seminários” entre os tais espíritas “progressistas”, aqueles que se declaram espíritas “socialistas”, mas que, de praxe, não abrem mão de um requintado “caviar”. Tais “espíritas” “socialistas” /“progressistas” / “protetores dos pobres e oprimidos”, via de regra, estão pouco se lixando com os deserdados e não movem uma palha para conhecerem de perto e ou improvisarem uma visitinha às instituições doutrinárias especializadas em prestação de serviços à comunidade de indigentes econômicos.
    Tais “espíritas progressistas” apontam Kardec como um ingênuo por ter explanado em O Evangelho Segundo o Espiritismo sobre a desigualdade das riquezas explicando-a sob a lei da reencarnação. Evocam tais “espíritas progressistas” que o proprietário dos meios de produção gera riquezas só para si, enquanto aos que trabalham resta o salário, representando apenas uma parte da riqueza gerada.
    Creem no lema “de cada qual, segundo sua capacidade; a cada qual, segundo suas necessidades", por isso os “espíritas progressistas” divergem de Kardec, dizendo que o Codificador se equivocou quando afirmou que é um ponto matematicamente demonstrado que a fortuna igualmente repartida daria a cada qual uma parte mínima e insuficiente.
    Kardec assegurou também que se houvesse a repartição dos bens materiais (riqueza), o equilíbrio estaria rompido em pouco tempo, pela diversidade dos caracteres e das aptidões. Tal verdade kardeciana é insuportável para os “espíritas progressistas”, pois estes defendem a distribuição irrestrita dos bens produzidos pelas empresas,  a fim de que os proletários possam viver na prerrogativa e violência ideológica do infausto igualitarismo; os “espíritas progressistas” idealizam uma sociedade altruísta (à base de caviar), sem valorizar as legítimas conquistas individuais para a boa performance das estruturas sociais.
    Quando Kardec afirmou que se a repartição da riqueza fosse possível e durável, cada um tendo apenas do que viver, e que seria o aniquilamento de todos os grandes trabalhos que concorrem para o progresso e o bem-estar da Humanidade, os “espíritas progressistas” alardearam que isso representa uma blasfêmia, pois as tecnologias produzidas têm atendido fundamentalmente às necessidades supérfluas da grande massa de consumidores – portanto, pessoas que já possuem o necessário podem utilizar a sua riqueza para o consumo do supérfluo.
    Regurgitam os tais “espíritas progressistas”, questionando por que supor que Deus é o agente da concentração de riquezas? Protestam, então, que a riqueza se concentra pelo simples fato de que quem já possui fortuna tem mais chances de vencer num mercado competitivo, e assim acumular mais riqueza num movimento crescente de concentração de capital. Como se observa uma, dedução horizontalizada, leviana, mecanicista e nada razoável dos “insurgentes progressistas”, que insistem em dizer que isso não significa que devamos “ler a realidade” como um “plano de Deus”.
    Acreditam os “progressistas” que a riqueza pode e deve ser concentrada sob a propriedade coletiva (sic), visando exclusivamente o benefício geral da humanidade, não permitindo a desigualdade de riqueza, pois assim toda a sociedade acaba “refém” da decisão do endinheirado de bem ou mal utilizar a riqueza. Além do que, a sua apropriação fica sendo necessariamente injusta, já que os trabalhadores que recebem salário como remuneração pela venda de sua força de trabalho não ganham integralmente por toda a riqueza por eles produzida.
    Expõem ainda os “progressistas” que no Brasil as desordens distributivas estão na ordem do dia, pois os ricos se tornaram mais ricos, os pobres se tornaram menos pobres e uma certa classe média tradicional viu sua posição relativa em relação a essas duas outras camadas prejudicada. A classe média perdeu status. Os ricos se distanciaram e os pobres se aproximaram, daí o conflito atual. Que saibam utilizar a inteligência a fim de entenderem que “as classes [sociais] existiram e existirão sempre, o que, porém, deve preocupar, e é racional estabelecer a solidariedade entre elas, a conciliação de seus interesses, a multiplicação urgente das leis de assistência social, únicas alavancas mantenedoras da ordem.''[1]
    É bem verdade que a desigualdade social ou econômica é um problema presente em todos os países (ricos ou pobres), decorrente da má distribuição de renda e, ademais, pela falta de investimento na área social. Compreendemos que uma repartição mais equitativa dos “bens” é imprescindível. Há “trocentas” teorias sociológicas, mil sistemas diferentes, tendendo a reformar a situação das classes desprovidas, a assegurar a cada um, pelo menos, o estritamente necessário. Ótimo!
    Mas, infelizmente, noutro cenário, ao invés da recíproca tolerância que deveria aproximar os homens, a fim de lhes permitir estudar em conjunto e resolver os mais graves problemas sociais, tem sido com violência que o militante reivindica seu lugar na ágape social. Outrossim, é uma lástima ver o endinheirado aguilhoado no seu egoísmo e recusando a ofertar aos famintos as menores migalhas da sua fortuna. Dessa forma, um muro tem separado ambos, e os quiproquós, as selvagerias, as cupidezes, as animosidades, os desrespeitos acumulam-se dia a dia.
    Politicamente sabemos que as leis elaboradas pelos legisladores podem, de momento, modificar o exterior, mas não logram mudar a intimidade do coração humano; daí vem serem os decretos de duração efêmera e quase sempre seguidos de uma reação mais depravada. A origem do mal reside no egoísmo e no orgulho. Os abusos de toda espécie cessarão quando os homens se regerem pela lei da caridade.
    Para confirmar as magníficas teses de Kardec sobre o assunto, reflitamos com Emmanuel: “A desigualdade social é o mais elevado testemunho da verdade da reencarnação, mediante a qual cada espírito tem sua posição definida de regeneração e resgate. Nesse caso, consideramos que a pobreza, a miséria, a guerra, a ignorância, como outras calamidades coletivas, são enfermidades do organismo social, devido à situação de prova da quase generalidade dos seus membros. Cessada a causa patogênica com a iluminação espiritual de todos em Jesus-Cristo, a moléstia coletiva estará eliminada dos ambientes humanos”.[2]

    Referências bibliográficas:
    [1] Xavier Francisco Cândido. Palavras do infinito, III parte, ditado pelo Espírito Emmanuel, SP: Ed. LAKE, 1936
    [2] Xavier , Francisco Cândido. O Consolador, pergunta 55, ditado pelo Espírito Emmanuel, RJ: Ed. FEB, 1978

    segunda-feira, 21 de outubro de 2019

    O arrependimento como um convite à extração da pureza íntima para reparação do erro (Jorge Hessen)

    O arrependimento como um convite à extração da pureza íntima para reparação do erro (Jorge Hessen) 


    Jorge Hessen 
    Brasília-DF 

    A Providência Divina oportuniza ao Espírito falido uma experiência reencarnatória desafiadora, como um convite (amoroso e/ou doloroso), para reparação e reaprendizado das derrocadas morais de vidas passadas e atuais. 

    Precisamos ajuizar o preceito de Causa e Efeito com o máximo discernimento, a fim de nos conscientizarmos sobre seu mecanismo, que desfere tanto reparações desafiadoras, quanto gratificações surpreendentes, sucessivamente, justas, criteriosas e controladas, as quais expressam a resposta da Providência Divina contra a desarmonia constituída ou submissões aos Códigos divinos da consciência em suas profundas estruturas. 

    Ninguém está sujeito ao império aleatório da “casualidade”, pois o acaso não existe. A casualidade não pode governar nossos destinos. É o código de Causa e Efeito ou a Providência divina, que tudo ordena, corrige e atua na imensidade colossal do Universo. Tal divino ditame é para que nós nos resguardemos de nós mesmos e não objetiva processos punitivos sem indultos. 

    Experimentamos, após a desencarnação, os resultados das imperfeições que não conseguimos corrigir na vida física. As Leis divinas, ínsitas na consciência, asseguram que felicidade e desdita sejam reflexos naturais das nossas escolhas em grau de pureza ou impureza moral. A felicidade relativa reflete a concernente ascensão moral do Espírito, enquanto a imperfeição causa dor e a dor quando não é aceita amorosamente se transforma em sofrimento. Portanto, quanto mais evoluído é o Espírito maior o grau de felicidade e menor é a amplitude da dor. 

    Pelas nossas livres escolhas somos responsáveis pelas consequências determinantes da trajetória do nosso destino, podendo delongarmos as dores pela persistência no mal, ou atenuá-las e até anulá-las pelo exercício do bem. Um dos mecanismos que suavizam o açoite da dor é o arrependimento. Entretanto não nos basta o arrependimento, ou seja, termos a consciência da dimensão do delito com o firme propósito de não reincidir no mesmo, pois são imprescindíveis a expiação (como ação de extrair a pureza), isto é, extrairmos a pureza que há em nossa essência divina, a fim de que haja a necessária e amorosa reparação. 

    A reparação, por sua vez, consiste em, ao fazermos o bem primeiramente a nós mesmos, bancarmos em seguida o bem àqueles a quem fizemos o mal. Em que pese a diversidade de gêneros e graus de dores dos Espíritos imperfeitos, a Lei de Deus estabelece que a dor (que jamais será punitiva) seja inerente à impureza espiritual. 

    Toda “imperfeição”, assim como todo delito dela decorrente, traz consigo a necessidade de inevitável reparação. Assim, a doença é um convite divino para a reeducação reparadora dos excessos e do emprego mental irresponsável nasce o tédio, sem que haja mister de sentença condenatória especial para cada erro ou indivíduo. Podendo nos libertar das nossas imperfeições por efeito da vontade, pensamentos e sentimentos podemos igualmente anular as dores decorrentes e assegurar a atual felicidade relativa.