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  • domingo, 10 de fevereiro de 2013

    COMO ESTAMOS PENSANDO?




    Jorge Hessen
    http://jorgehessen.net

    Pensamento e pensar são, concomitantemente, uma configuração do artifício mental ou capacidade da codificação mental. Raciocinar consente aos seres moldarem o mundo e com isso lidar com ele de um modo concreto consoante as suas metas, planos e vontades. O pensamento é avaliado como a demonstração mais tangível do espírito humano, porquanto por meio de representações e ideias desponta precisamente a pretensão deste.
    O pensamento é fundamental no processo de aprendizagem e é o principal veículo do processo de conscientização. A atividade de pensar confere ao homem asas para sobrepor e mover-se no mundo, as raízes para aprofundar-se na realidade. Etimologicamente, pensar significa avaliar o peso de alguma coisa. Em sentido amplo, podemos dizer que o pensamento tem como missão tornar-se avaliador da "realidade". Segundo Descartes, o filósofo por excelência, "a essência do homem é pensar". Por isso proferia: "Sou uma coisa que pensa, isto é, que duvida, que afirma, que ignora muitas, que ama, que odeia, que quer e não quer, que também imagina e que sente. Logo quem pensa é consciente de sua existência, "penso, logo existo."(1)
    Filosoficamente, observemos que há a realidade que depende da existência de um observador e a realidade que independe do observador para existir. Elementos como átomos, força, gravidade, fotossíntese, são exemplos do que existe independentemente do observador - é a realidade natural. Em contrapartida, dinheiro, propriedade e governo são exemplos que dependem de nós para existir - é a realidade social, cultural, existencial. O peso que as idéias ou palavras exercem sobre nossas ações, sobre nossos estados emocionais, sobre a construção de nossas vidas, quase sempre é imenso.
    Segundo os Benfeitores, o pensamento atua à feição de onda, com velocidade muito superior à da luz, e a mente é o dínamo gerador de força criativa. Sendo matéria, a onda mental é formada por corpúsculos (partículas mentais), a se anunciarem como ondas e formas mentais. Em situações extraordinárias da mente, excitação dos micro-núcleos atômicos mentais, quais sejam, as emoções profundas, as dores indivisíveis, as laboriosas e aturadas concentrações de força mental ou as súplicas aflitivas, o domínio dos pensamentos emite raios muito curtos, teoricamente semelhantes aos que se aproximam dos raios gama.
    Decididamente, muito de nossas ações só acontece porque pensamos algo, desejamos algo, acreditamos em algo, tememos algo, ou seja, há um estado subjetivo que provoca um tipo de movimentação no mundo concreto. Se isso é fato - e é difícil, empiricamente, duvidar desse fato - então, a interferência do que pensamos sobre o que vivemos é muito maior do que habitualmente imaginamos. Dessa forma, o dito popular "cuidado com o que você pensa", possui um sentido muito mais amplo. A rigor, nossos pensamentos interferem e determinam nossas ações, nossos posicionamentos, e o mundo em que vivemos se constitui a partir da interferência dessas nossas ações sobre ele.
    Temos então pensamentos que geram ações, que geram pensamentos, que geram ações. Ações que geram o mundo, que gera ações. O pensamento do outro que constitui o meu pensamento, que constitui o pensamento do outro. Quais os limites, as linhas divisórias entre esses elementos? Creio não ser possível estabelecer esses limites, ou seja, quando um elemento termina e o outro começa. Não há fronteiras, territórios específicos do pensar, do agir, do eu, do outro. A constatação da fluidez de nosso pensar e, consequentemente, de nossas ações, enfim, daquilo que somos, talvez permita uma melhor compreensão de como viver em um mundo onde não haja uma única possibilidade, mas todas as possibilidades, ou seja, onde tudo seja possível.
    Sob o ponto de vista espírita, nosso espírito residirá onde projetarmos nossos pensamentos, alicerces vivos do bem e do mal. Os pensamentos negativos corrompem os fluidos espirituais, como os miasmas deletérios corrompem o ar respirável, ou seja, o otimismo é expansão da luz e o pessimismo é condensação da sombra. Os fluidos que envolvem os Espíritos obsessores, ou que estes projetam, são viciados, variando de acordo com o grau de imperfeição de cada um, ao passo que os que envolvem os Benfeitores espirituais, ou que eles emitem, são puros, tanto quanto comporta o grau de perfeição moral que tenham conquistado.
    Outro aspecto a considerar é que tanto os bons pensamentos quanto os maus, emitidos por um ser encarnado, afetam, consideravelmente, as mentes de irmãos, também encarnados, em faixas mentais equivalentes. É imprescindível compreender que, depois da morte do corpo físico, prosseguimos desenvolvendo os pensamentos que cultivávamos na experiência carnal. O pensamento age e reage, carreando para o emissor tudo que o sustenta, como também tudo que arremessa a quem pretenda atingir. Determina para cada criatura os estados psíquicos que variam segundo os tipos de emoção e conduta a que se afeiçoe.
    O sentimento de amor cristão pode impulsionar o correto pensamento, sem os quais adoecemos pela insuficiência de equilíbrio íntimo, imprimindo no corpo físico as distonias e as variadas patologias que lhe são consequentes. Para termos saúde, é importante saber como estamos pensando. Os pensamentos negativos operam em nosso estado íntimo determinada perturbação, instaurando desarmonias de grandes proporções nos centros da alma e provocando lesões funcionais variadas. Quaisquer doenças aparecem como efeitos, residindo a causa no desequilíbrio dos espelhos da vida íntima, uma vez que os sintomas mentais depressivos influenciam as células fisiológicas.
    Recordemos que os efeitos dos anseios e pensamentos indignos que mantemos se tornam contra nós mesmos, depois de decompostos em ondas mentais, tumultuando nossas funções neurológicas, e esses reflexos imprudentes, alastrando-se sobre a contextura do córtex cerebral, gestam delírios que podem transformar do medo evidente ao estado neurótico, circunstância em que os obsessores nos alcançam com alvitres destruidores, diretos ou indiretos, transportando-nos a lamentáveis fenômenos de desgoverno psicológico e emocional. Não olvidemos jamais que exclusivamente o amor cristão pode estimular o adequado pensamento e nos fazer alforriados das amarguras sorrateiras. Sem o amor exercitado, adoecemos, espiritualmente, pela carência de equilíbrio íntimo, transmitindo ao corpo físico as distonias e as variadas patologias que lhe são consequentes. Por isso, necessitamos ter muito cuidado com o quê, como, onde e por que pensamos desse ou daquele modo.

    Referência:
    (1)    Disponível em http://blogeducavirtual.wordpress.com/2012/07/13/penso-logo-existo/ aceso em 09/02/2013